Até quando a indignação popular vai suportar só murmurando?

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Análise da semana  Nossa Voz é Nossa Vida  – 24.03.2019

Cada semana me esforço para partilhar com você análise de situações sociais em nossa região. Nem sempre partilho situações positivas, infelizmente, mesmo procurando. Às vezes me sinto como o profeta do Antigo testamento que só denunciava  as infidelidades do povo a seu Deus e as atrocidades das autoridades. Pregavam uma esperança distante, tentando animar a caminhada do povo sofrido. Hoje partilho com você duas situações. Nosso país vive uma noite de trevas por causa de um governo que tudo faz para prejudicar os trabalhadores e os pobres. Entre outros golpes, o presidente e seu ministro da economia Paulo Guedes, insistem que deputados e senadores aprovem uma assassina reforma da previdência. Preste atenção em alguns itens dessa proposta assassina atingindo a aposentadoria dos trabalhadores:

– tempo de contribuição ao INSS para ter aposentadoria integral – 40 anos;

– pagamento para maior aposentadoria – R$ 5.839,00;

– idade mínima para aposentadoria integral – homem 65 e mulher 62 anos;

– Pensão para filhas não casadas – nada;

– pensão para filhos órfãos – só até 21 anos;

– trabalhador rural – para se aposentar tem que contribuir com INSS

– Sindicatos não mais terão imposto sindical obrigatório

Esta tragédia para os trabalhadores  é que está para ser decidida por deputados federais e senadores . Reações começaram embora ainda tímidas. Na sexta feira, 22 houve manifestações em todos os Estados do país, promovidas pelas centrais sindicais em 125 cidades. Segundo um dos líderes da CUT este foi um aviso ao governo Bolsonaro que se insistir na reforma da previdência haverá greve geral no país. Foi um bom sinal, embora ainda fraco pois só de um dia, que não assusta governo nem os empresários. Mais triste foi na cidade de Santarém. Em sintonia com as  manifestações em 125 cidades do país, alguns sindicatos locais chamaram uma reunião de preparação às manifestações  mas poucos militantes atenderam. Na sesta feira ficou marcada uma manifestação na praça São Sebastião. Mesmo tem havido convite e avisos pelas redes sociais, apenas seis militantes compareceram. Aquele fracasso, revelou quanto  os ameaçados pelo desastrado governo federal estão indiferentes em Santarém. São mais de 15 sindicatos urbanos em Santarém, além dos STTR, e da Colônia de pescadores, são mais de 30 associações de moradores, São dezenas de Igrejas cristãs, cujos congregados são vítimas do governo Bolsonaro e suas reformas. Mas a manifestação na praça não aconteceu por falta de união e lideranças dos movimentos sociais e partidos de oposição. Moral dessa estória, não basta se indignar, não basta xingar das idiotices do presidente da república e seus ministros irresponsáveis. É necessário organização, lideranças e ação unificada.

Esta indica que está havendo no bairro São Francisco da Nova República. Alí, o prefeito e seu secretário insiste em violentar a organização popular que mantém o micro sistemas de água. Querem arrancar uma organização popular que está assumindo regularmente a distribuição coletiva de água pelo micro sistema. Em vez de o prefeito e seu secretário se disporem a fazer um trabalho pedagógico de despertar a responsabilidade de cada usuário a cumprir com seu deveres de custear e manter o micro sistema, não. Querem eles tomar o sistema e entregar a uma empresa privada. Qual a vantagem?  Cobrar mais caro transformando a água numa mercadoria. Daí a resistência positiva dos usuários do bairro São Francisco. Esta é a situação positiva da semana e que deve ser imitada por todos os micro sistemas  do município, hoje ameaçados se serem transformados em mercadoria cara nas mãos de empresários.

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