A paixão de Cristo atualizada

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Análise da semana  Nossa Voz é Nossa Vida  – 03.03.2019

Na semana que passou, se de um lado continuou o desastre político governamental de Bolsonaro e sua gente, no entanto houve sinais positivos em nossa sociedade. Há grupos despertos buscando defender o direito e a justiça do bem viver. A inspiração de nossa análise é o evangelho lido hoje em várias celebrações comunitárias. Diz Jesus nesse evangelho de Lucas “uma árvore boa é conhecida pelos frutos bons que produz, pois uma árvore boa  produz frutos bons e uma árvore  ruim produz frutos podres…”. Então, do jeito como o governo está conduzindo o país, especialmente contra trabalhadores, jovens e pobres, está claro que é uma árvore ruim. Quem votou nele, adubou com veneno a realidade atual, basta conhecer o projeto de reforma da previdência social.

Por outro lado, em nossa região, há sinais de árvores boas, gerando bons frutos. Possível que aí em sua comunidade haja dessas boas árvores, consegue identificar?  Aqui em Santarém, as pastorais sociais da diocese estão desde sexta feira até hoje, fortalecendo  conjuntamente o esforço  de unir a fé cristã à busca de justiça social nas comunidades. Durante a semana também, um grupo de líderes de movimentos sociais discutiram mais formas de defender os moradores da área de proteção ambiental Maicá, em luta contra projeto de construção de portos da EMBRAPS. Os  ambiciosos donos do projeto criaram uma falsa propaganda dos ilusórios benefícios que viriam a Santarém, se os portos fossem construídos. Só cegos e ingênuos podem acreditar nessa propaganda, pois o porto da CARGIIL ali na Vera Paz, é o exemplo de não melhorias para os moradores de Santarém. Pelo contrário, se gerou 700 empregos durante a construção, depois de pronto,  a CARGIIL gera apenas cerca de 600 empregos, enquanto exporta  milhões de toneladas de soja, sem pagar imposto de exportação. Em troca privatizou uma praia, destruiu um sítio ecológico e tomou todo o campo e bosque da Vera Paz. Porto da CARGILL hoje é o retrato do será o MAICÁ em breve, se os moradores e lutadores sociais baixarem a cabeça.

Ainda destacamos dois sinais de esperança ocorridos. Um, o lançamento do projeto Tapajós solar, pelo Movimento Tapajós Vivo, com o qual serão atendidos 16 sistemas de bombeamento de água comunitária, com energia solar e três prédios de uso coletivo, também com energia solar. Tal projeto pretende mostrar que os moradores de nossa região não precisam de hidroelétricas no rio Tapajós, pois é possível sim se ter energia abundante e limpa do próprio sol.

Outro sinal de vida é a continuada luta do povo mundurucu. Nesta semana uma equipe daquele povo esteve em Brasília, no Ministério Público Federal. Discutiram a geração de mais uma desgraça, se permitirem a construção da ferrovia, ligando Mato Grosso a Miritituba. Quem explica parte dessa desgraça é a professora Alessandra Munduruku lá em Brasília. Junto com outros parentes ela afirma “queremos viver do nosso modo, com nosso jeito de bem viver. Nós já vimos a quantidade de problemas que a rodovia Br. 163 nos trouxe: aumentou o desmatamento, poluiu os rios, levou nossos filhos para as drogas. As autoridades precisam ouvir os indígenas”. A ferrogrão, se deixarmos construírem, vai ter 933 quilômetros de linha, atingirá negativamente 48 áreas de proteção ambiental, além de várias comunidades indígenas e povos tradicionais. Sem consulta prévia, livre e bem esclarecida não se poderá construir a ferrogrão.  Com tais exemplos de resistência se tem esperança que outro mundo de bem viver é possível.  Nós todos precisamos ver se nós e nossas comunidades são árvores boas, ou ruins, olhando os frutos.

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