Responsabilidade do gestor com as políticas públicas

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Análise da semana – Nossa Voz é Nossa Vida – 28.04.2019

 

Na análise de hoje, vamos refletir sobre uma política pública necessária e em situação precária em Santarém. Apresento para sua reflexão, os depoimentos  de cinco médicos servidores do Hospital Municipal de Santarém.

Em entrevista coletiva a um canal de televisão local TV Tapajós, os médicos: Alberto Tolentino Filho, Luis Rodolfo Carneiro, Marina Chaini Everaldo Martins Filho, Olívia Pinheiro, Antônio Carlos e João Fabricio, revelaram que a falta de insumos, equipamentos e de profissionais têm gerado um caos na saúde em Santarém.

Para eles a expectativa de que a gestão pela IPG (Instituto Panamericano de Gestão) fosse promover melhorias nas condições de trabalho dos médicos para um atendimento de qualidade à população de Santarém, no oeste do Pará, não está sendo correspondida pela Organização Social (OS), é que para tentar organizar, houve uma maquiagem do processo. Se alguém for hoje no Hospital Municipal vai ver que ele está mais limpo, a comida melhorou. Mas no que diz respeito a insumos e equipamentos a gente não viu como médico nenhum tipo de avanço”.

Segundo o médico Tolentino – algumas especialidades médicas que atuavam dentro do hospital saíram de lá. A OS chegou ofertando plantões para médicos de ginecologia, pediatria e cirurgia geral, mas a questão salarial fez com que eles voltassem para o velho sobreaviso.

“Não teve o avanço que se esperava e a nossa maior preocupação é que a bomba estoure daqui há alguns dias no Hospital Municipal se o IPG não resolver os problemas que estão instalados lá. Como é que eu vou trabalhar com falta de dipirona e de hemograma no pronto atendimento? São processos que estão ser alargando e que a gente não pode deixar chegar ao ponto que chegou a UPA”, observou Tolentino Filho.

 

Sobre a paralisação da UPA em decorrência da rescisão de contrato da empresa Ribeiro, Souza e Companhia Ltda, Tolentino Filho disse que a classe médica se sentiu muito mal quando viu em alguns veículos de comunicação os médicos sendo colocados como mercenários e que esse seria o motivo do fechamento da UPA.

Então, pela exaustão no trabalho eles pediram a rescisão do contrato. Não foi pela questão financeira, foi por falta de condições de trabalho e de segurança”, frisou Tolentino Filho.

 

O diretor clínico do HMS, Luís Rodolfo Carneiro disse o seguinte -“Quando se opta por uma OS, se acredita que haverá facilidade na aquisição der equipamentos e insumos, que são coisas pontuais. A classe médica foi a favor da gestão por OS baseada na experiência bem sucedida do Hospital Regional, mas no caso do IPG não funcionou como esperado”.

“Tem um médico lá, mas o exame não funciona. Tem o médico lá, chega uma pessoa infartada, e a gente não tem retaguarda de eletrocardiograma. A gente não é pai de santo. A gente precisa de instrumentos, equipamentos e retaguarda de laboratório para desenvolver uma medicina de qualidade para a população”.

Tolentino concluiu assim: “Tem que ter fiscalização assim como o Regional é fiscalizado pela Sespa. Não existe fiscalização de forma concreta por parte da Semsa em relação aos serviços da OS. Por isso, os médicos reivindicaram que tenha uma pessoa da Semsa dentro do Hospital Municipal, inclusive para intermediar o relacionamento dos médicos com a OS”.

Quando ouvimos estes depoimentos de médicos que estão lá no Hospital Municipal, os médicos  só confirmam o que denunciamos antes de o prefeito publicar decisão  no ano passado. Ele assumiu o risco de privatizar a administração do Hospital e UPA  sem consulta à sociedade civil. Era evidente que entregar a administração de um hospital aberto que recebe pacientes a toda hora, para uma empresa, ela para lucrar terá que reprimir o acesso constante de pacientes. Além disso, o prefeito transfere sua responsabilidade gerencial a terceiros e faltarão equipamentos necessários como denunciam hoje os médicos. O que ele tem que fazer agora? Retomar a administração do hospital e colocar pessoas competentes  no serviço. Será que o prefeito terá sensibilidade para retomar a administração do Hospital municipal?  Dependerá dele e da pressão social nossa.

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