Mês: junho 2019

GOVERNO QUE MATA COM FUZIL E COM AGROTÓXICOS

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Análise da semana  Nossa Voz é Nossa Vida  – 30.06.2019

Hoje iniciamos a análise da semana, prestando  homenagem a duas companheiras lutadoras, que viajaram ao Reino do Céu. A partir das duas, refletiremos sobre algo que as levaram ao outro lado da vida e ameaçam a tantos outros lutadores sociais. Está em grave risco nossa sobrevivência neste solo amazônico, não só nós, mas nossa Casa Comum, solo, rios, igarapés e subsolo.

As duas companheiras homenageadas, Eunice Sena e Derci Godinho faleceram nas últimas semanas. Eunice Sena, deixou um legado de bem viver a ser cultivado pelas mulheres da região. Sob sua liderança surgiram organizações de mulheres trabalhadoras, foi implantada a primeira delegacia da mulher no Baixo Amazonas, entre outras lutas e conquistas. Derci Godinho, pequenina no tamanho mas bem grande na luta sindical e trabalhadora rural, líder do Sindicato de trabalhadores e trabalhadoras rurais de Santarém, também deixa um legado a ser seguido pelas lutadoras sociais.

Ambas companheiras faleceram vítimas de câncer, ambas ainda em pleno vigor de militância popular. Por que se foram tão cedo? O câncer não é uma doença hereditária, nem aparecem por acaso. Várias podem ser suas causas. Mas hoje em dia no Brasil e em nossa região alastraram-se fortes causas de câncer. São os agrotóxicos: inseticidas, herbicidas, fertilizantes químicos. É assustador o fato de estarmos sendo envenenados diariamente, seja quem vivem próximo das plantações de soja e milho, seja os que comem produtos granjeiros. No Brasil, de acordo com Aline Gurgel, vice-coordenadora do Grupo Técnico (GT) de agrotóxicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) “o uso indiscriminado de agrotóxico é tão grave que há registros de suicídios de trabalhadores rurais, puberdade precoce, com a aparição de pelos pubianos e mamas em bebês de apenas seis meses de idade, nascimento de crianças sem os braços e as pernas, contaminação do leite materno, infertilidades masculina e feminina, câncer e outras doenças degenerativas.”.

O Brasil já era o maior usuário de venenos agrícolas no mundo. Agora, o governo Bolsonaro promove mais mortes causadas pelo uso indiscriminado dos agrotóxicos nas plantações especialmente de soja, milho e algodão. De janeiro a junho deste ano o ministério da agricultura liberou mais 211 produtos tóxicos para o agronegócio. Esses venenos contaminam o ar, o solo, os igarapés e rios, além do subsolo.

Impossível entender como ainda há tantas pessoas apoiando esse governo que facilita os lucros do agronegócio, mas mata tantas pessoas. No Hospital regional de Santarém, só neste ano entraram 1.778 pacientes  com câncer. Desses, 625 com câncer de mama, 448 com câncer de próstata, 157 com câncer no colo de útero. ENTRE ESSES PACIENTES ESTAVAM Eunice Sena e Derci Godinho, falecidas há poucos dias. Quantos mais são e serão atacados por essa peste provocada por usuários criminosos? Só Deus sabe, pois as autoridades em vez de proibirem, fazem é aprovar o uso indiscriminado desses venenos.

O mínimo que podemos aconselhar a você ouvinte é o seguinte: se tem sido usuário desses herbicidas, inseticidas e semelhantes, ponha a mão na consciência e procure outro defensivo orgânico; se você não usa mas mora próximo de uma plantação de soja e milho, de quem  utiliza esses venenos, denuncie no Ministério Público Federal, de preferência em denúncia coletiva com abaixo assinado. Não podemos continuar sofrendo humilhados e nossos entes queridos morrendo sem defesa.

 

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Mais um projeto para destruir Amazônia

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Notícia para Rádio RioMar  24.06.2019

Hoje vamos comentar uma notícia de um projeto, anunciado com muito entusiasmo por um de seus interessados. Trata-se do sonho de uma nova rodovia ligando Manaus a Santarém e daí com o resto do mundo. Chama-se rodovia Ponte de Safena. Um negócio para seis bilhões de reais, percorrendo  434 quilômetros de extensão. Serão três pontes, duas cruzando o rio Amazonas e uma o rio Tapajós no Pará. O sonho já é antigo mas,  com as facilidades da desorganização da Amazônia pelo atual governo, parece que a assembleia legislativa já está analisando e vedo a possibilidade de aprovar. A RODOVIA sairá de Itaquatiara, cruzando o rio amazonas indo até as terras de Maués. De lá entrará no Pará, vem até a cidade de Aveiro cruzando o rio Tapajós. Até financiamento já está em andamento, tanto o BNDES que se dispõe a entrar no lance, e mais dois bancos estrangeiros querem financiar. Até aí, parece obra de waltDisney.

O que precisa alertar os moradores de Manaus, Itaquatiara, Urucurituba, Maués e a região tapajônica no Pará, é o seguinte, o  que essa fantástica Ponte de Safena vai trazer para a melhoria de qualidade de vida para as populações tradicionais, por onde esse projeto protende cruzar? Começando por Manaus e suas periferias o que vocês vão ganhar? Informações técnicas do traçado da sonhada rodovia, mostram que ela vai entrar em duas reservas indígenas, entrará no Parque nacional da Amazônia e na reserva extrativista tapajós /arapiuns; Vai atravessar áreas de densas florestas, que certamente servirão para exploração madeireira, minérios e agronegócio. Mas quem vai usufruir essas riquezas? Esse projeto rodoviário tem tudo para aumentar o desmatamento da  região, facilitar a grilagem de terras.

Fica a pergunta aos ouvintes da Rádio Riomar, o que as populações de Manaus e dos municípios por onde passará a estrada tem a ganhar? Ou melhor, quem mesmo poderá ganhar com uma estrada que não teve consulta aos milhares de moradores da região? Não será mais um monumento semelhante à grandiosa  ponte ligando Manaus a Iranduba, que não tem água tratada? Será mais um rodovia a serviço de grileiros, madeireiros e oportunistas.  Agora você ouvinte tem mais motivo de refletir e questionar se vale a pena gastar 6 bilhões de reais, que Não beneficiará os trabalhadores e a juventude.

Somos Pan amazônia sim

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Notícia Para Red Pan amazónica  20.06.2019

Hoje a Igreja Católica celebra a presença de Jesus no meio de nós, a festa de Corpus Crhisti na linguagem tradicional. Celebrar essa memória num momento tão duro no país dito mais católico da América só tem sentido se for renovação de compromisso, com o direito e justiça vivida e enunciada pelo Mestre Galileu. Mas, se no Brasil se vive um tsunami político social, com graves consequências para a maioria da população,  nem tudo é desgraça, há acontecimentos de esperança acontecendo.

Em Santarém Estado do Pará aqui em plena floresta amazônica, houve um esperançoso encontro de 140 militantes dos movimentos sociais. De sexta a segunda feita militantes das três bacias do grande rio Tapajós, se encontraram, partilharam suas lutas, desafios e esperanças. Durante o encontro chegaram a conclusões coletivas de enfrentamento dos projetos destruidores da nossa Casa Comum. O grande e ameaçado rio  é alimentado por três grande bacias regionais, Juruena, Teles Pires, Alto Tapajós em conjunto com médio e baixo Tapajós. 23 três barragens estão construídas umas, em construção outras e planejadas outras tantas. Todas  violentam direitos dos povos tradicionais e o ecossistema. Diante dessa realidade cruel, os movimentos populares estão buscando unir forças para defender seus direitos e evitar a destruição do rio e seus povos.

Ao final do encontro os militantes construíram três compromissos coletivos: # Instrumentos de luta coletivos; # escola de formação amazônica dos lutadores sociais; # e fortalecer um canal de comunicação entre as três regiões, estimulando o uso das mídias sociais existentes e animando as rádios comunitárias e a rádio web. Ficou combinado se realizar novo encontro menor com lideranças dos movimentos das três bacias para se avançar com a definição de como concretizar os compromissos assumidos. Afinal, é preciso estarem ativos e unidos antecedendo os projetos destruidores.

Também foi aprovada uma carta compromisso para manifestar à sociedade como e porque estamos unindo forças. Um parágrafo de carta afirma o seguinte:  “com todas as nossa forças buscamos impedir que os erros do passado se repitam, comprometendo assim, não somente o futuro de quem vive na Amazônia, mas de toda a humanidade. Os rios Juruena, Teles Pires e Tapajós não podem ter o mesmo destino de tantos outros rios brasileiros, que se encontram contaminados , assoreados, sem peixes, sem vida.” Todos os participantes saíram convictos de que juntos podemos sim impedir a destruição de nossa Casa Comum.

como as águas se unem e vencem as pedras nós unidos venceremos

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Notícia para Rio Mar  17.06.2019

Basta  de se dar e ouvir notícias ruins, prejudiciais, embora esta sejam também necessárias para alertar. Porém hoje tenho uma boa notícia para manauaras, ouvintes da Riomar e também para você ouvinte paraense que vive e partilha a vida com os moradores da capital amazonense. A boa notícia é que encerrou hoje em Santarém um encontro que pode ser inspirador para outros moradores de Manaus e de outras regiões da Amazônia. Foi um encontro dos lutadores sociais das três bacias do Rio Tapajós: Juruena, Teles Pires, alto, médio e baixo Tapajós. De sexta feira até hoje meio dia se encontraram  140 militantes que lutam nas três bacias hidrográficas em defesa do bem viver.

Nos três primeiros dias os participantes que vieram de tão longe trocaram informações sobre suas lutas, seus desafios regionais; ilustraram uns aos outros quais são hoje os projetos de grandes empreendimentos que destroem florestas, rios e lagos. São hoje 23 grande projetos de barragens ao longo das três bacias do rio Tapajós. No rio Juruena são mais de 15 projetos de barragens chamadas pequenas centrais hidroelétricas, umas em construção e outras projetadas. Todas ignoram os direitos dos povos tradicionais e da natureza; O rio Teles Pires já está prejudicado por quatro grande barragens hidroelétricas e outras estão projetadas; o rio Tapajós ainda não tem barragens, mas o governo pretende construir sete grandes hidroelétricas. Além disso, empresários do agronegócio, madeireiros e mineradoras invadem até terras demarcadas dos indígenas. Ao final do terceiro dia, os participantes chegaram seguintes compromissos coletivos:

– construção de uma escola de formação amazônica para ampliar a consciência crítica dos lutadores sociais;

– Definição de instrumentos de luta conjunta em defesa do território;

– Construção de um canal comunicacional entre as três regiões das bacias hidrográficas, para manter os e as companheiras bem informadas das lutas. Uma carta coletiva foi aprovada com um compromisso expresso por todos assim: “A resistências e a construção de alternativas se fazem com muitas mãos como as águas que se juntam para preservar o futuro. Essas águas limpas e serenas dos rio Juruena, Teles Pires e Tapajós hoje se agitam sob ameaças de inúmeros projetos em operação, construção, ou planejados. Por essas águas uniremos nossas forças”. Conclui a carta assinada pelas organizações participantes.

Encontros com este das três bacias do Tapajós podem ser inspiração para outras regiões do Amazonas que sofrem por causa de tantos projetos que chegam, saqueiam e destroem o bem viver c=das comunidades.

 

Que será do povo brasileirona próxima semana?

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Notícia para Red Panamazônica  – 12.06.2019 – A rede pan amazônica transmites notícias uma vez por semana geradas nos nove países hermanos, inclusive este.

Imagino que vários ouvintes da Red Pan amazónica podem estar curiosos com o que acontece nestes dias no Brasil e o que poderá acontecer em seguida. Não dá para se ter certeza qual dos três povos irmãos sul americanos está em pior situação de vida. Se os argentinos, ou os venezuelanos, ou se nós os brasileiros.  Em especial nós povos da Amazônia estamos  e grave situação social e ambiental, pelos desgoverno Bolsonaro.

Os poderes da república brasileira estão desmoralizados. Um presidente psicopata em ação impune; um congresso nacional num misto de poucos deputados e senadores sérios e uma maioria de políticos oportunistas, ou comprometidos ideologicamente com o presidente. Sé que se pode chama isso de governo ideológico; os militares estão como crocodilos em beira de lagoa, a espera de avançar sobre o Estado num golpe branco, com a deposição do presidente psicopata, mas eleito democraticamente. Agora o judiciário tem suas manobras reveladas pelo site Intercept. O ex juiz e seus colegas da Lava Jato estão nus pegos em malandragens para impedir a eleição de Lula da Silva e mantê-lo prisioneiro por mais de um ano. Políticos sérios estão exigindo que o ministro Sérgio Moro deva enfrentar a justiça e prestar contas de suas próprias ilegalidades.

Por trás de toda a sujeira está o capital nacional e internacional. A indústria brasileira se esvazia, o desemprego chega a 13 milhões e meio de trabalhadores parados. Empresas estatais são entregues ao capital internacional como a Petrobrás   e a empresa nacional de aviões Embraer. O Brasil vai sendo transformado em mero exportador de matérias primas.

O que poderá acontecer na próxima semana? Justissimamente do ministro da justiça e seus colegas da lava jato? Libertação de lula da Silva? Ou nada acontecerá? Algo disso é possível, aguardemos.

Até quando ficaremos indiferentes ao que destroem na Amazônia?

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Edilberto Sena <edilrural@gmail.com>
sex, 7 de jun 15:08 (há 2 dias)
para eu

Análise da semana  Nossa Voz é Nossa Vida  – 09.06.2019

O que será de nossa Amazônia. Das florestas, rios, lagos e também o que será dos 27 milhões de seres humanos que hoje habitam esta preciosa região? A devastação continua desregradamente. os dados mais recentes, dos primeiros 15 dias de maio, são os piores no mês em uma década – 19 hectares/h, em média, o dobro do registrado no mesmo período de 2018.

Foram perdidos oficialmente em uma quinzena 6.880 hectares de floresta preservada na Região Amazônica, o mesmo que quase 7 mil campos de futebol. Isto afirmam os pesquisadores do Instituto Nacional de pesquisas espaciais, IMPA. As desgraças estão acontecendo bem ao nosso redor: o lixão do Perema que recebe em torno de 130 toneladas de lixo da cidade por dia, acaba de ampliar a poluição ambiental, teve a barragem de chorume rompida há poucos dias levando a sujeira para o igarapé lá embaixo e de lá foi runo ao lago do Maicá;  Também no planalto santareno que inclui Belterra e Mujuí dos Campos 70 mil hectares de terras, antigas florestas hoje estão semadas de soja e milho contaminados por dezenas dos 197 venenos agrícolas hoje liberados pelo governo Bolsonaro.

Uma das graves consequências dessas agressões estão estampadas no hospital regional do câncer em Santarém. A estatística atual aponta  um mil 776 pacientes estão em tratamento ali. No ano passado foram atendidos  com sintomas de câncer ali 18 mil 575, dos quais 611 tiveram cirurgia.

Com tal ilustração veio o governo Bolsonaro e decidiu acabar com a proteção ambiental no país. Vale a pena escutar agora parte do depoimento do senador do Amapá Randolf Rodrigues, na semana passada no dia do meio ambiente. Como só tinha o áudio, foi transmitido junto na Rádio Rural mas não tenho aqui. Desculpem os leitores. Quem puder buscar no you tube vale a pena escutar. Só coloquei na análise uma parte por questão de tempo de rádio.