Mês: julho 2019

Quem fala a verdade o governo, ou o povo Wajãpi?

Postado em

Notícia para Red Pan amazônica  – 31.07.2019

Triste país em que seus governantes ignoram os povos tradicionais. Isso desde a invasão dos europeus em 1.500. Hoje no Brasil, a situação está mais grave , com um governo totalmente  submisso ao capital extrativista tanto o nacional como o  norte americano. O mais recente caso desse racismo  estatal aconteceu semana passada no Estado de Amapá, vizinho da Guiana francesa.  Garimpeiros de ouro invadiram uma aldeia do povo Wajãpi, mataram o cacique e os parentes fugiram apavorados. Com o grito por socorro e a solidariedade de instituições defensoras dos povos indígenas, o governo federal foi obrigado a enviar polícia federal para  supostamente prender os criminosos invasores da terra indígena.

Os policiais foram até o centro da aldeia, acompanhados por guerreiros wajãpi. Não encontrando ninguém, se recusaram a entrar na floresta para buscar os criminosos. Alegaram que não podiam prosseguir na investigação. Retornaram à capital Macapá. Um general do exército então declarou o seguinte “ Pelo trabalho pericial feito pela polícia federal de forma científica, até o momento não houve indícios de invasão de garimpeiros”, falou o general lá de Brasília. No dia seguinte, o presidente Bolsonaro, que já se tornou ridículo com suas polêmicas irresponsáveis, simplesmente declarou que duvida que havia garimpeiros na terra wajãpi.

No entanto, o cacique Surui Wajãpi acompanhou os policiais federais  até ao local do assassinato do outro cacique e contou como eles fizeram a perícia no local. Disse ele: “ nós acompanhamos os policiais ao local, mostramos os sinais  e marcas dos sapatos dos garimpeiros, mas os policiais disseram que não iriam entrar na floresta para continuar a investigação”. Em quem acreditar nesse caso? Na polícia federal de um governo que despreza os povos nativos e recusa concluir a investigação no local? Ou no depoimento do cacique que viveu o drama da invasão de criminosos garimpeiros que mataram seu parente?

Esta é a Amazônia onde vivem 27 milhões de brasileiros, entre os quais mais de cem povos nativos, mas com autoridades totalmente acobertando crimes e permitindo a entrega das riquezas ao capital.  Desde la república bananeira Brasil, Edilberto Sena da Rede de Notícias da Amazônia para Red Pan Amazónica

Boas notícias para você

Postado em

Análise da semana  Nossa Voz é Nossa Vida  – 28.07.2019

Nem só de anarquia dos governantes vivemos nós os e as brasileiras. Meu Deus! Nunca antes havia presenciado incompetências e arrogâncias de servidores públicos, como nestes dias no Pará. Em Alter do Chão, foi o tal despreparado ministro da educação, que recebeu devida vaia de muitos presentes; no Marajó foi a tal ministra da cidadania e da mulher, com aquela trágica sugestão de uma fábrica de calcinhas par impedir agressões sexuais às mocinhas pobres. Eita pau! Quanta  barbaridade nas ditas autoridades nacionais.

Ainda bem que coisas boas estão acontecendo aqui na região, apesar dessas baboseiras de autoridades. Nossos agredidos povos tradicionais conseguem buscar outros motivos para respirar esperança. É como indica o mestre Jesus no evangelho que deve estar sendo proclamado em várias celebrações hoje. O reino do céu é como uma pedra preciosa que alguém acha e vende tudo para ficar com ela. Não a pedra que os governantes estão impondo sobre nós. Isso é veneno puro e destruição, como é o caso dos agrotóxicos liberados a granel e como a ALCOA e suas colegas que destroem o ambiente e levam de graça o minério. E ainda tem gente que apoia essas empresas.

Mas vamos salientar o que de bom está acontecendo na região. Ainda na terça feira aconteceu um estudo sobre construção de Comitê de bacia hidrográfica, para 22 representantes de comunidades e movimentos sociais do tapajós. Foram dois dias de debates e questionamentos para se entender o que é uma bacia hidrográfica, como é o caso do rio Tapajós e o igarapé do Urumari. Cada rio e Igarapé forma uma bacia hidrográfica. A água foi criada por Deus primeiro para as pessoas beberem, banharem, lavarem, cozinharem. Só depois servirá para outros usos. No entanto, o capitalismo selvagem está violentando as bacias hidrográficas, colocando a serviço de portos graneleiros, garimpos, hidroelétricas e outros. Nos igarapés, estão fazendo piscinas privadas, criação de animais e jogando lixo, como acontece nos igarapés de Santarém, do Eixo Forte, Lago Grande e outras comunidades. O estudo foi muito proveitoso e será levado adiante.

Outro sinal de esperança do Reino do céu está acontecendo desde ontem e vai até hoje à tarde. É a Romaria da terra e da agroecologia. Saiu ontem do trevo de Belterra, caminhou durante a noite e hoje chega daqui a pouco no bosque da cidade, onde haverá uma feira de produtos orgânicos e manifestações culturais. É o grito em defesa de nossa Casa Comum e a denúncia das desgraças dos agrotóxicos espalhados a granel na região. Uma das motivações da Romaria é “agricultura familiar  é uma economia de reciprocidade: quintais produtivos, pesca, artesanal, agro extrativismo e floresta de alimentos”.

Um terceiro sinal de esperança acontece hoje também aqui em Santarém. É o Congresso diocesano da Pastoral da Juventude. 250 jovens de várias regiões da Diocese estão reunidos no auditório do IESPES. Discutem como enfrentar essa triste realidade que vivem as populações do Brasil e Pará, especialmente a situação de abandono  das universidades e escolas públicas. Eles se perguntam, como deve um jovem cristão se comportar diante de tantas violações de direitos humanos causados por governos.

Estes são alguns sinais de busca da pedra preciosa hoje. Certamente outros estão acontecendo na sua comunidade e vizinhança, será?  você pode verificar abrindo os olhos para a vida como Jesus via lá na Galileia. Se os governantes são criminosos e tentam destruir vidas dos trabalhadores e dos pobres, se promovem a destruição de rios e florestas, está em nossas mãos resistir e construir o reino do céu como propões o mestre Jesus.

Assassinato do Aiampi no Amapá é fruto do progresso proposto pelo governo

Postado em

Notícia para Rio Mar  29.07.2019

Boa tarde Gecilene e você ouvinte da emissora comprometida com a justiça e a defesa da Amazônia. Trago uma notícia trágica, convidando você a refletir e também começar a agir para que outras tragédias não destruam mais do que já vem sendo destruído. Pesquisa publicada em setembro do ano passado afirma que os indígenas vivendo na capital amazonense, chegam a 45 mil pessoas de 36 etnias.  Estão vivem nas periferias manauaras.  É possível que você ouvinte tenha esteja informado da invasão de garimpeiros ao povo Waiampi no Amapá, será? Assassinaram o velho cacique e apavoraram os moradores da aldeia. Agora escutem o que pensa o atual presidente do Brasil. Disse ele: “Não tem nenhum indício forte que esse índio foi assassinado lá. Chegaram várias possibilidades, a PF está lá, quem nós pudermos mandar nós já mandamos. Buscarei desvendar o caso e mostrar a verdade sobre isso ai”.

 

Então escute o que afirma o conselho indígena das aldeias Waiampi do Amapá: O Conselho  publicou ontem uma nota esclarecendo as circunstâncias do assassinato do cacique Emyra Waiãpi na Terra Indígena Waiãpi. Segundo o documento, o crime ocorreu na segunda-feira (22/7) e o corpo foi encontrado por outros indígenas no dia seguinte. O Conselho aponta ainda que a Terra Indígena foi invadida por não indígenas, que tem ameaçado os Wajãpi. No Amapá como em toda a Amazônia, existem muitos minérios, no Amazonas, Pará, Rondônia e toda a região amazônica. A ambição de enriquecimento fácil leva às invasões das terras indígenas. Estas invasões são estimuladas pelo próprio presidente da República.

 

O arcebispo de Porto Velho/RO e presidente do Conselho Indigenista Missionário/CIMI, dom Roque Paloschi, afirmou na semana passada “que a Igreja vê com muito sofrimento este momento triste do Brasil.  É preocupação com o cenário político do Brasil e questionou o juramento de fidelidade à constituição federal feito pelo presidente da República. Na entrevista Dom Roque fez a seguinte análise:

O cenário político atual do Brasil é muito preocupante, pois, o atual presidente, com  suas equipes, está infringindo e desrespeitando totalmente a Constituição Federal do Brasil e de toda a esperança dos pobres deste país. Ele jurou fidelidade à constituição, mas estamos vendo os direitos dos pobres sendo atacados”, concluiu Bispo de Porto Velho.

Então, ouvinte da Rádio Rio Mar, o que está acontecendo com o povo Waiampi no Amapá, está também acontecendo com povos Ianomami, Tucano, e também o povo Munduruku do Tapajós. Com uma diferente atitude os munduruku estão reagindo à invasão de madeireiros em suas terras. Nas semanas atrás, um grupo de guerreiros percorreu 100 quilômetros pelas trilhas de suas terras no médio Tapajós, para expulsar madeireiros que roubavam madeiras. Em relatório publicado na semana passada afirmaram que, lutando em defesa da vida e da floresta, guerreiros e guerreiras passaram 18 dias percorrendo o perímetro de suas terras, para fiscalizar o local e garantir  sua proteção. No caminho encontraram  inimigos destruindo floresta e os expulsaram. O povo Munduruku tem história e fama de corta cabeças dos inimigos. Por isso ainda hoje são 14 mil parentes vivos. Um exemplo para muitos sofredores da Amazônia.

 

 

A quem incomoda o Sínodo para a amazônia?

Postado em

Notícia para Rádio Rio Mar  22.07.2019

Boa tarde Gecilene e você fiel ouvinte da grande emissora de Manaus e que vai bastante longe na região. Por acaso você já ouviu falar no Sínodo para a Amazônia? Sabe que Sínodo é uma reunião religiosa da Igreja Católica, em que o Papa convoca um grupo de bispos, padres e leigos para debaterem um assunto importante para ajudar o Papa a tomar uma decisão orientadora para os cristãos? Outro detalhe importante sobre este sínodo, ele é para a Amazônia e não sobre a Amazônia. Qual a diferença?… SOBRE significa um estudo para entender um assunto, no caso, a Amazônia. E PARA significa que o Papa deseja que a Evangelização na Amazônia seja a partir dos problemas, costumes e desafios que enfrentam os povos e a mãe natureza na Amazônia.

Não dá mais para os missionários imporem um catecismo de cima para baixo, com doutrinas religiosas, desconhecendo como vivem e sofrem os povos tradicionais e como sofrem a floresta, os rios, o solo e o subsolo da Amazônia, com a exploração gananciosa de empresas e governo em prejuízo dos que aqui vivem. Por isso, o sínodo já começou desde o ano passado, quando vários questionários foram respondidos, por cristãos de centenas de comunidades, para ser instrumento de trabalho dos bispos e especialistas que vão sentar e debater em outubro lá em Roma. Serão representantes dos nove países que tem floresta Amazônia em seu território.

O desejo do Papa Francisco é que o jeito de se evangelizar seja como Jesus no seu tempo na Galileia, sentido os desafios e sofrimentos dos pobres, anunciando a presença do reino de Deus ali. Este Sínodo para a Amazônia esta causando preocupação em quem? Adivinhe? Quem é que usa e abusa das florestas, rios, solos e subsolos da Amazônia? Quem que construiu e constrói usinas hidroelétricas em Balbina, Jirau, Belo Monte e dezenas de outras? Pois é, já sabe portanto,  quem está contra o sínodo para  a Amazônia. Daí que tem um grupo de músicos bem pagos, andando por várias cidades da Amazônia fazendo propaganda contra o sínodo, você sabia? Já estiveram em Porto Velho, em Rio Branco e querem chegar em Manaus, Boa Vista e outras cidades fazendo críticas mentirosas.

Eles andando criticando, pedindo abaixo assinado contra o Papa Francisco e o sínodo. Dizem que aquilo poderá causar grande prejuízos para o desenvolvimento da Amazônia. Dizem eles que: Somos uma entidade civil, de inspiração católica, e temos objetivo de defender a civilização cristã no Brasil. Estamos fazendo uma campanha a respeito do Sínodo da Amazônia. Há notícia de pessoas entre os participantes do sínodo que querem internacionalizar a Amazônia, ou entregar a Amazônia para o controle de ONGs ou instituições internacionais”. Com esse tipo de mentira eles querem assinatura de pessoas para acabar com um encontro religioso, que busca uma forma evangélica  de libertar os povos da Amazônia. Então, fique alerta, mesmo que você não seja católico/a procure ficar com a verdade  e não seja maria vai com as outras, nessas campanhas falsas.

Analisar a situação e agir com sabedoria

Postado em

Análise da semana  Nossa Voz é Nossa Vida  21.07.2019

Nem só ativismo, nem só meditação, hoje como no tempo de Jesus na Galileia, seus amigos/as precisamos  meditar, analisar o que está acontecendo ao nosso redor, prejudicando muitas pessoas e como seguir as orientações do mestre, ao mesmo tempo, analisando e agindo para expulsar os demônios, curar os enfermos do corpo e do espírito, para o reino de Deus se tornar presente. Esta é uma conclusão que se tira do Evangelho que hoje é proclamado em muitas celebrações comunitárias.

Então, em que regime social político  vivemos hoje no Brasil e em nosso município? Democracia Imperialismo? Ditadura? Anarquia?…

De acordo com o dicionário, democracia é um regime  político/ social, onde todas as decisões de vida coletiva tem origem no povo, com o povo e para o bem do povo. São representantes do povo e não independentes. Todas as decisões que tomam vereadores,  prefeitos, deputados, governadores, senadores e  presidente devem passar pela consulta  à sociedade. Uma forma de os representantes escutarem o povo é seguir rigorosamente a Constituição nacional.

Então, responda: o regime político que administra Monte Alegre é democracia? E os de Alenquer, Curuá e Belterra, estão respeitando a democracia? E aqui em Santarém, da forma como vereadores e prefeito estão administrando o município, pode se dizer que é democracia?

Posso imaginar sua resposta… mas daí segue outra questão:  e se não é um regime democrático o de seu município, o que fazer? Cruzar os braços?… Murmurar e rogar praga pra eles?… Outra questão, como você analisa o governo federal, incluindo presidente, deputados, senadores e ministros, estão eles respeitando a Constituição nacional?  Consultaram o povo antes de entregar a melhor fábrica de aviões brasileiros a uma empresa estrangeira? E o governo do Pará consultou o povo antes de entregar as terras públicas do Estado para quem quiser ocupar? E o prefeito de Santarém, consultou ao menos as organizações populares que utilizam ônibus diariamente, antes de fazer uma nova licitação e aceitar uma empresa que não cumpriu  o contrato e os ônibus novos não apareceram?

Essas perguntas são aqui levantadas para  você e seus vizinhos analisarem no seu grupo de oração, de CEB, de sua igreja evangélica. Lembre que Jesus elogiou sua amiga Maria por escutá-lo, mas elogiou também Marta por agir, buscar solução. Nem só escutar, nem só agir sem pensar.

Se os regimes político sociais  que estão ocorrendo em seu município, sua cidade e sua comunidade, não são democracia, o que temos que fazer como seguidores de Jesus? Se seu prefeito já foi condenado pela justiça por erros administrativos, como no caso de Monte Alegre e Alenquer, você ainda vai ficar conformado/a? se os vereadores não respeitam as decisões da sociedade organizada, como no caso de Santarém, você ainda vai votar neles um dia? E o caso do presidente da república que toma decisões sobre facilitar a entrada de fazendeiros e mineradoras nas terras indígenas? Você ainda afirma que ele é um democrata? E como aceitar essa confusão da nova empresa de ônibus em Santarém, que está pondo em risco muitos ficarem sem transporte público, como confiar nas decisões do prefeito e os vereadores?

Dentro de mais um ano e meses, maioria dos  representantes do povo estarão pedindo seu  voto. Qual será sua decisão? E quando chegarem as eleições estaduais e federal, você ainda lembrará os atuais representantes que apoiam prejudicar os trabalhadores votando na destruição da previdência social? Você lembra quem são os deputados e senadores do Pará, que apoiam essa maldade contra os pobres?

Assim, pensando, analisando, precisamos compreender por que Jesus elogiou tanto a Maria que refletia as coisas, como a Marta que agia e buscava soluções. Importante é cuidar da vida de todos.

Até que dia os humilhados ficarão quietos?

Postado em

Notícia para Rádio Rio Mar   15.07.2019

Boa tarde Gecilene, e ouvinte da Rio Mar. Cada dia fico mais preocupado com o que acontece em nosso país e que prejudica tanto os pobres. Fico a pensar, até quando os pobres vão suportar calados todos esses  prejuízos? E os que votaram nesse homem para presidente, será que esses e essas eleitoras ainda acham que ele está salvando o Brasil e que a vida vai melhorar? Observe mais esse golpe nos pobres. Você sabe o que significa Defensoria publica federal, a chamada DPU? Ela foi criada para defender os pobres em conflitos e que Não podem pagar advogados.

Pois bem, EXISTEM 70 DEFENSORIAS PÚBLICAS FEDERAIS no Brasil. Mas o presidente Bolsonaro decide fechar 43 delas agora. Isso mesmo, acabar com 43 defensorias públicas no país. Quantas no Estado do Amazonas serão fechadas, ainda não sei aqui, mas será bom você procurar saber, ouvinte. O presidente alega que vai fechar por questão de economia do dinheiro público. Você acredita nessa potoca? O Deputado goiano, Jorge Kajuru pesquisou e garante que o nossos impostos que vão para os cofres públicos o governo gasta um trilhão de reais por anos para sustentar salários e benefícios de 70 mil políticos , de federais a municipais.

A situação de nosso país é muito grave. Igor Roque, presidente da associação nacional de defensores públicos federais garante que que o governo federal quer matar por falta de recursos todas as defensorias públicas do país. Diz mais ele: ”Tudo o que é contra a maioria é difícil. E é uma contradição, porque a Defensoria defende a população vulnerável, o negro, o pobre, a mulher, o indígena, as comunidades tradicionais, e numericamente esse grupo de pessoas é infinitamente superior ao rico, branco, letrado no Brasil. Só que a maioria numérica que a gente defende não é maioria política. A população do interior ficaria desguarnecida. É um retrocesso inimaginável”, garante Igor Roque.  Mais uma informação aos paraenses que vivem em Manaus. Santarém, com seus 300 mil habitantes, tem um escritório da Defensoria pública federal para atender 15 municípios do Baixo Amazonas. Está ameaçada de fechar. No Amazonas, pela informação que recebi, só há uma defensoria pública federal na capital , durma com essa ouvinte.

 

Quem é próximo de quem no Brasil?

Postado em

Análise da semana   Nossa Voz é Nossa Vida  – 14.07.2019

Para os cristãos e pessoas éticas, o Evangelho proclamado hoje em muitas igrejas, chama atenção sobre o que é ser próximo de alguém no mundo atual. Quem é o próximo, o que é ajudado, ou quem é solidário com o necessitado. E este é apenas a pessoa que se aproxima de mim, ou pode ser o bairro, ou a comunidade necessitada? No texto do evangelho, Jesus pensa diferente do outro da lei.

Pensamento semelhante ao do fariseu continua existindo ainda hoje, mesmo entre pessoas religiosas. Alguém sente consciência tranquila porque deu um dinheiro ao mendigo, ou deu um conselho orientador a uma pessoa em crise. Mas, como ser o próximo do bairro ou da comunidade carente  de melhoria, com esgoto a céu aberto, ruas esburacadas, posto de saúde sem medicamentos, sem enfermeira. Por que os problemas são se repetindo na comunidade, a associação de moradores tem um presidente fraco e sem compromisso, mas pessoal reclama, fala mal dele, mas não toma atitude em defesa do bem comum.

Vamos tomar um caso mais amplo e bem recente na cidade de Santarém. A questão do serviço de transporte público. A maioria dos residentes e visitantes da cidade necessita de ônibus para se locomover. São cerca de 45 bairros periféricos, as ruas em boa parte estão abandonadas pelo poder público, os ônibus em circulação, são inconvenientes por vários motivo, inclusive pela forte descarga de fumaça poluindo as ruas e as pessoas. De repente, o prefeito deu a impressão de cuidar da melhoria do transporte público. Porém, sem chamar as associações dos bairros, sem consultar os movimentos populares, decidiu fazer uma licitação para botar ordem na situação. Promoveu uma licitação fechada, estranhamente nenhuma empresa de Santarém ganhou a licitação que ficou para uma nova empresa. Possivelmente porque nenhuma está equipada para oferecer um bom serviço. A nova empresa vencedora garantiu operar na data combinada com o prefeito, com toda uma frota de ônibus novos, ou semi novos. Tudo combinado em gabinete. Agora chegou o dia da apresentação dos novos ônibus e não apareceram nem os motoristas, nem os pneus. O que aconteceu? Ninguém,  sabe. Nem o prefeito sabe, nem os vereadores. Só um milagre fará chegarem 100 ônibus  novos nas ruas Santarém na data final dia 14 hoje, ou dia 17.

Até aqui, mais uma decisão autoritária do prefeito municipal, além de outras que ele tem tomado, como a terceirização do hospital municipal e a privatização da distribuição de água. Mas não se pode esquecer  a indiferença dos moradores da cidade, especialmente os que necessitam o transporte público diariamente. Não se ouve reação das associações de moradores, nem de sindicatos. Quem salvou a lavoura foi a Ordem dos Advogados em Santarém, que chamou os envolvidos para esclarecer como ficará a situação, caso a empresa ganhadora da licitação não cumprir o compromisso.  A OAB é quem se tornou o próximo dos ameaçados de perderem transporte público em breve. Portanto, como afirmou o mestre Jesus, o próximo é quem é solidário com os outros e não os necessitados em si. Daí, ouvinte, como também Jesus concluiu ao doutor da lei – Vai e faz o mesmo! Olha teu bairro, tua comunidade, teu território e faz o mesmo que fez o samaritano.