Mês: setembro 2019

Isolados não avançamos, juntos construiremos outro mundo

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Escola de Ativismo Social – Movimento Tapajós Vivo

Curso: Mobilização e estratégias de ação na/pela Amazônia

Contribuição do Edilberto na mesa Bloco 2

NECESSIDADE DE FORMAÇÃO POLÍTICA

 

  1. Vivemos numa sociedade de intensa disputa– não é mais luta de classes, como no passado, mas luta do capital sobre os seres humanos e natureza: são disputas:
  • Por território em amplo significado (terra, água, cidade, campo). Veja-se o que ocorre hoje em nossa região tapajônica…
  • Por poder político – Os governantes a serviço do capital (vereadores, prefeitos, governadores, federal, poder judiciário)
  • Por controle social – massificação das pessoas, uso da TV e Rádio e hoje pelas redes sociais – estímulo ao individualismo subserviente.
  1. Nesta múltipla disputa como ficamos nós:
  • Teoricamente somos o lado oposto ao capital – queremos viver
  • Queremos ser livres, mas estamos submissos
  • Queremos usufruir nossos direitos: vida, educação, saúde, democracia, etc
  • Mas não estamos organizados e com estratégias de enfrentamento
  1. O SISTEMA tem outros interesses e outras estratégias:
  • Controla os governos municipais, estaduais, federal (Estado)
  • Controla os meios de manipulação da sociedade Canais de TV, Rádio e redes sociais. Ver eleição de Bolsonaro…
  • Usufruir das riquezas da terra e dominar os seres humanos
  1. Como vamos romper a dominação do sistema:
  • Conhecer como funciona a disputa – informação,
  • Aprender a enfrentar as estratégias do inimigo – comprometimento
  • Construção de estratégia política para um outro mundo possível – planejamento estratégico
  • A estratégia deve ter objetivos, metas, táticas e plano de ação
  • Conhecendo a história veremos que a mudança é sim possível (Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Fidel Castro, etc)

crise do capitalismo + destruição da Amazônia + sínodo para a Amazônia

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Análise de conjuntura nacional a partir dos impactos na Amazônia – Setembro 2019

Para Misssão Signis/ RNA em Muaná Marajó – 19 a 22 de setembro 2019

  1. O que há de mais importante nestes tempos para nossa compreensão:

Destruição da Amazônia + Crise terminal do capitalismo + Sínodo para a Amazônia. Todos estão interligados para bem e para mal dos povos tradicionais da região.

 

Como alimentar esperança nesse tempo de trevas?

 

  1. Os incêndios (70 mil focos em agosto/setembro) e a contínua derrubada de floresta (5.000 quilômetros quadrados em 2018) Tem causas e causadores. Quais e porquê:
  • As ambições do agronegócio, dos mineradores, dos madeireiros r fazendeiros. Eles exportam tudo para o mercado internacional milhões de toneladas de soja para China, Europa e Índia; exportam carne de gado para mais de 100 países; exportam madeira ilegal para Europa, Canadá e Estados Unidos da América do Norte. Exportam couro de boi (2 bilhões de dólares em 2018), etc;
  • Um desgoverno irresponsável e submisso aos interesses desses predadores da Amazônia. Liberou 220 agrotóxicos neste ano; esvaziou IBAMA, ICMBIO, FUNAI; estimula invasão de terras indígenas pelos grileiros.
  • Sociedade passiva, desunida e sem resistência. Estamos vendo a casa pegar fogo e não enfrentamos a realidade. Os ricos se enriquecem, as autoridades fazem de conta que trabalham e nós perdemos direitos da saúde, educação, moradia, etc sem uma reação firme em defesa dos nossos direitos.
  1. A causa mais profunda da destruição da Amazônia a serviço do capital é a crise mais profunda do capitalismo neoliberal. 2.008 esoura a última grande crise do capitalismo mundial, com a falência dos Bancos norte americanos, salvos pelo Banco Central deles. No Brasil de FHC já houve a crise dos bancos brasileiros já antes da crise mundial. O sistema bancário foi “salvo” pelo, PROER

(Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema financeiro Nacional 1995). “o programa de intervenção no sistema financeiro acabou acelerando o processo de concentração bancária no Brasil. O Banco Nacional foi incorporado pelo Unibanco, que depois foi vendido ao Itaú. Já o Bamerindus foi vendido ao HSBC, comprado este ano pelo Bradesco. O Banco  Econômico foi vendido na época ao Banco Excel, depois comprado também pelo Bradesco, que já tinha adquirido o Banco Pontual. Tudo isso foi arrumado pelo PROER de FHC.

  • A crise mundial do capitalismo foi crescendo, à medida que o capital financeiro cresceu sem controle prejudicando o capital produtivo. O que foi isso:

** Capital produtivo é tudo que os seres humanos produzem e vendem (indústria, agronegócio, extrativismo, etc);

** Capital financeiro é tudo que gera mais capital sem produção. As dívidas públicas dos países, os empréstimos de empresas para outras e o endividamento das pessoas. Jessé de Sousa em seu livro A Classe Média no Espelho, descreve assim a roubalheira do capital financeiro no dia a dia: “O capitalismo financeiro cria não só uma forma específica de acumulação de capital, com ritmo e lógica peculiares, mas também uma concepção de felicidade e uma nova narrativa para o mundo social… Esse assalto da consciência pública foi planejada, implantado com diabólica inteligência e com muitos recursos aplicados na compra da imprensa, da universidade, centros de pesquisa, etc… De acordo com o sociólogo Jessé – “ Em 2005 (governo Lula) a população estava aumentando seu poder de compra, então os Bancos decidiram botar no bolso dos rentistas, elite e alta classe média, a riqueza que era coletiva (bolsa família, salário mínimo atualizado, etc).  Como? As pessoas físicas pagavam em fins de 2017, juros de 139,91%  na compra a crediário, 65,35% nos empréstimos pessoais junto aos Bancos, 297,18% no cheque especial e 326,14% no rotativo do cartão de crédito”. E conclui o Jesse de Souza; “como justificativa desse assalto legalizado, os Bancos  culpam a tendência dos brasileiros ao não pagar suas contas em dia. Como se a alta inadimplência não fosse resultado dos juros abusivos dos Bancos”.

** Hoje no mundo enquanto o capital produtivo gera 90 trilhões de dólares, o capital financeiro gera 270 trilhões de dólares e continua crescendo. Tem mais dinheiro sem moeda e sem produtos circulando no mundo.

** O nosso caso – a dívida pública do Brasil (que alimenta o capital financeiro) é hoje cerca de 4.500 trilhões de reais. 2/3 dessa dívida é interna, dívida aos Bancos (Bradesco, Itaú, Santander, etc. Com agravante que esses Bancos junto com o BB e Caixa devem à Previdência social 450 bilhões de reais. Mais um absurdo: 48% de toda a arrecadação de impostos federais é entregue fielmente para pagar os juros da dívida eterna do país. Por isso, o governo Bolsonaro retira verbas da educação, do SUS, da FUNAI, entre outras.

** Com a crise aguda do sistema neoliberal, os países ricos invadem e saqueiam os países periféricos, como Brasil, Argentina e toda América latina e África. Aqui ainda há riquezas que eles cobiçam. Daí a prostituição do governo Bolsonaro ao governo norte americana. Daí o incentivo ao agronegócio, mineração e invasão aos territórios indígenas e áreas de proteção ambiental. Daí a entrega da Base de Alcântara aos gringos, a venda da EMBRAER à BOING, etc. Não começou com Bolsonaro, pois FHC foi um dos mais vira lata governos que iniciou a privatização das empresas estatais, Mas com Bolsonaro agora a situação chega ao fundo do poço da não governança para o povo.

  1. Como está a resistência da sociedade civil à rapina na Amazônia e no país todo?
  • Pode se dizer que o “gigante adormecido” começa a despertar acossado pela fome de justiça social, política, e democracia. Os desmonte do Estado brasileiro (venda de empresas, destruição das leis trabalhistas e previdência social; desmoralização da política e judiciário, tudo isso e um presidente boçal e psicopata, estão um pouco tardiamente provocando sinais na sociedade civil.

Ainda pontualmente tem havido atos e ações de inconformismo com a situação:  Caminhoneiros em greve no ano passado; passeatas nas ruas, protestos pela prisão de Lula da Silva; manifestações estudantis, etc. Todos ainda pontuais sobre interesses menores, inclusive as manifestações indígenas.

Aldo Fornaziri – Professor da Escola de Sociologia e Política afirma o seguinte: Aos poucos surgem sinais significativos de que grupos sociais começam a reagir contra o autoritarismo, contra a fúria destrutiva, aos desmandos de Bolsonaro e de outras figuras públicas identificadas com a extrema-direita. Essas reações também vão ocupando espaços públicos e se transformando em mobilizações e manifestações. De modo geral, essas reações da sociedade têm um caráter espontâneo, no sentido de que não são dirigidas e nem lideradas por partidos políticos”.

 

As oposições partidárias – finalmente agora começa uma articulação dos partidos de oposição para enfrentar as próximas eleições. Estão se juntando PCdoB, PT, PSB, PSOL, ?? Lideram essa articulação Flávio Dino do Maranhão, Haddad do PT, Boulos do PSOL. Porém, continua choramingando e tentando aparecer como único capaz de assumir a presidência da república e mudar o País, o Ciro Gomes. Ele tenta criar outra articulação composta de partidos do centrão como Solidariedade, O Novo.

O professor Aldo Fornaziri diz também : Com efeito, os partidos políticos de esquerda estão desarticulados, desorientados e sem estratégias. Em 2013 perderam a direção dos movimentos de massa e, de lá para cá, permanecem numa defensiva política e estratégica e, mesmo num momento favorável como agora, não conseguem sair do defensivismo”.

  • A Igreja Católica – Pressionada pela convocação do sínodo para a Amazônia hoje tem assumido declarações mais  em busca de democracia no país. Mas, como diz a cantiga “se o boi soubesse da força que tem não puxava carroça…”se a Igreja soubesse usar a força que tem, com 250 bispos, milhares de padres e religiosas/os, grupos de leigos congregados. E usasse em poder o governo Bolsonaro já teria recuado das violências que está fazendo com trabalhadores, estudantes e a democracia.
  • Alguns sinais da CNBB aparecem mais recente, pela força de atuação do Papa Francisco.
  • A maioria dos padres se ocupa com a catequese e os sacramentos e pouco se interessam pelo social como essencial à Evangelização
  • Tudo indica que a formação teológico pastoral dos padres dos últimos 20 anos, é bastante limitada, que impede de muitos deles não saberem falar do reino de Deus, a partir da realidade sócio econômico ambiental da Amazônia. É justamente o que Papa Francisco tenta provocar com o sínodo para a Amazônia.

O SÍNODO PARA A AMAZÔNIA

 

**Importante que não será um sínodo SOBRE mas PARA a Amazônia. Qual a diferença?…

  • Uma nova orientação sócio pastoral e uma nova dinâmica para a Igreja, que deve compreender os desafios enfrentados pelos indivíduos, famílias e grupos no âmbito destas várias dimensões:
  • não podemos proporcionar aconselhamento espiritual e cuidado pastoral se as pessoas forem consideradas em separado (ou seja, de forma não integrada) do modo como vivem e agem, tendo em conta as condições naturais, econômicas e sociais com que se deparam”.
  • Afirmou o jesuíta novo cardeal Michael Kzerny.
  • Por que PARA a Amazônia e não para África, ou para China?…
  • O que acontece hoje na Amazônia, atinge as geleiras do ártico, os terremotos no mundo, as secas na África e mais…

 

  • crise da região amazônicavai chegando ao ponto de não retorno e a Amazôniaé agora um dramático novo assunto na ordem do dia.
  • Os problemas gerais respeitantes à vida humana e ao ambiente natural desta região são indiscutíveis. Ambos – vida humana e ambiente – estão sofrendo uma séria e talvez irreversível destruição.
  • Tem uma extensão de 7,8 milhões de km2, aproximadamente a mesma dimensão da Austrália.
  • Inclui áreas do BrasilBolíviaPeruEquadorColômbiaVenezuelaGuianaSurinameGuiana Francesa.
  • Conta com cerca de 33 milhões de habitantes, 3 milhões dos quais são indígenaspertencentes a 390 grupos ou povos diversos.
  • O seu impacto no ecossistema planetário pelos ciclos da água, da energia e do carbono a nível planetário.

 

Que significa NOVOS CAMINHOS para a Igreja na Amazônia

  • O Sínodo diz respeito a todas as partes envolvidas: quem se encontra agora na Amazônia; quem está próximo; quem pretende dirigir-se para lá; e o resto do mundo.
  • E, no âmbito dessa perspectiva global, a Igreja está procurando proporcionar uma liderança que escuta, respeita e quer aprender: “A cultura da Amazônia, que integra os seres humanos com a natureza, se constitui como referente para construir um novo modelo da ecologia integral”.

< O Sínodo ajudará a que todos – indígenas, moradores dos rios, descendentes de africanos, mestiços, migrantes andinos e habitantes das cidades – assumam a sua identidade amazônica e a encontrar uma estrutura eclesial e estatutos apropriados para os seus específicos requisitos pastorais.

            SÍNODO=Caminhar juntos

  • Esse Sínodo, esse “caminhar juntos”, não termina com a Missa conclusiva, nem com a apresentação do Documento final ao Papa, nem mesmo com a subsequente Exortação apostólica, que será publicada provavelmente na primeira metade de 2020.
  • Ele apontará para uma possível implementação, por parte do Povo de Deus e de outros, de ações para proteger uma parte específica da grande casa comum em que todos vivemos, bem como de novos caminhos pastorais para a Igreja.
  • Para a terra e a humanidade no seu conjunto, a Amazôniaé parte vital da nossa casa comum. Se a Amazônia for ainda mais depredada, a atmosfera poderá tornar-se demasiado contaminada e quente para sustentar a vida.
  • E como é que a Igreja pode ajudar a encontrar os novos caminhos necessários? “O mundo amazônico pede à Igreja que seja sua aliada”.

Reflexões conclusivas

Responsam em grupo”:

  • Como sua região revela os impactos dessa conjuntura nacional e amazônica?
  • Como tem sido a preparação de seu grupo sobre o SÍNODO? Diga três pontos essenciais da preparação do Sínodo…

 

Alter do chão entra na onda dos incêndios de Bolsonaro

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Notícia para Red Pan amazônica  – 18.09.2019

Incêndio em algumas áreas de savana na Amazônia aconteceram no passado. Porém, nunca como neste ano. Até agora mais de 70 mil focos de incêndio foram identificados em vários estados da região. O mais recente aconteceu na semana passada aqui bem próximo ao elogiado balneário de Alter do Chão, às margens do rio Tapajós. Cerca de 400 hectares de mata nativa se tornaram cinzas.

Como nada acontece por acaso na natureza, buscam-se as causas demais esse abalo ao meio ambiente. Duas grandes causas são evidentes nesse caso. Um, o desgoverno federal. O presidente Bolsonaro foi eleito para satisfação do agronegócio e dos mineradores. Ele assumiu o cargo consciente que serviria aos devastadores da Amazônia. Para isso, escolheu como ministra da agricultura, uma mulher Tereza Cristina ministério do meio ambiente, um homem, Ricardo Salles, também ligado ao agro negócio. Ambos estão cumprindo à risca seu papel. Esvaziaram órgãos fiscalizadores do ambiente, facilitam a grilagem de terras sem condena-los.

A outra causa de tanta destruição da Amazônia são grupos de criminosos que certos da impunidade provocam incêndios em quantidade. O presidente neste momento tem o cinismo de acusar as ONGs de provocadoras dos incêndios e seu ministro Salles acusa os moradores das comunidades como incendiários. São atitudes perversas como essas que estão destruindo o pulmão do planeta.

Instituições sérias no mundo não aceitam a ditadura disfarçada no Brasil. Além de várias reações da Europa, agora caso o presidente ridículo va à assembleia da ONU na próxima semana, certamente será ridicularizado e receberá grave advertência. Afinal, se o cuidado com a Amazônia é responsabilidade do Estado brasileiro, mas, como afirma o Papa Francisco, o que acontece nesta região tem a ver com o equilíbrio climático e aí todos os países são corresponsáveis.

A sagacidade do Papa Francisco com o sínodo para a Amazônia

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Editorial  RNA  17.09.2019

Alguém escreveu sobre a Amazônia em intenso processo de destruição, abordando um assunto muito oportuno. Disse que com a realização do Sínodo para a Amazônia o Papa Francisco se revela muito sagaz. Pode se entender sagacidade, como esperteza, mas também como inteligência, ser oportuno. Isto seguramente ele é.

Ao convocar o sínodo para a Amazônia já em 2017, o Papa se revelou mais que sagaz, foi profeta, o que anuncia o bem e denuncia o que está indo contra o projeto de Deus. Como anúncio profético, o sínodo para a Amazônia, propõe um novo modelo de evangelização na Igreja, a partir dos desafios, sofrimentos e esperanças dos povos da região, incluindo compromisso com a ecologia integral, o cuidado com todos os aspectos da Nossa Casa Comum, economia, política, o social e o ambiental.

Como denúncia profética, Papa Francisco, um sul americano que compreende bem o que acontece nesta região, já em 2017, propunha se ter um olhar crítico sobre como a ganância empresarial e submissão de governantes já vinham destruindo o bem viver dos povos tradicionais e a própria natureza. O pulmão do planeta ja estava doente e priora cada dia. Basta conferir o que afirmam os pesquisadores sobre 17% de floresta destruída e os 70 mil incêndios provocados nos últimos dias.

Não deve surpreender as críticas de reacionários da Igreja, que consideram o sínodo para a Amazônia uma heresia do Papa; nem surpreende a irritação do governo brasileiro, querendo até enviar um funcionário a participar do encontro eclesial no próximo mês de outubro no Vaticano. Um governo que alimenta a destruição da Amazônia, esvaziando órgãos ambientais, como IBAMA, ICMBIO, FUNAI, que nomeia latifundiária como ministra da Agricultura, ela que acaba de liberar 325 novos agrotóxicos só neste ano, ainda tenta interferir no encontro da Igreja. Como o sinodo promete uma evangelizacáo adequada para a Amazônia, certamente que o governo Bolsonaro ter[a que enfrentar uma Igreja amazônida em todos os sentidos.

mesmo em noite de trevas estrelas brilham no céu

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Análise da semana  Nossa Voz é Nossa Vida  – 15.09.2019

Quando se vive momento triste e desanimador como o atual, que o cristão e um cidadão tem a refletir e realizar? Um inescrupuloso assassinato da democracia, como também da justiça social é o que vivemos hoje no país. Que fazer? Apenas orar e pedir de Deus para ele resolver nosso problema? Nem é atitude cidadã e nem cristã.

Jesus de Nazaré em seu tempo, conhecia a triste situação em que viviam os pobres, massacrados pelos romanos, por Herodes e pelos donos da religião oficial. Mesmo assim, o mestre saiu pela região dos massacrados, foi levantar a esperança dos explorados. Também precisamos cidadãos/ãs e cristãos/ãs encontrar sinais de esperança e alimentar nossa ousadia. Precisamos mudar as trevas e construir um mundo diferente.

Na semana que encerrou ontem, podemos perceber alguns sinais da esperança que floresce, mesmo nesse mar de lama nacional. Um desses sinais apareceu na ação do Ministério Público Federal ali no bairro da área Verde da grande Prainha. Foi preciso pressão de um grupo de moradores prejudicados por um projeto de construção de um terminal distribuidor de petróleo. Sem respeitar a convenção 169 da Organização internacional do Trabalho, começou a destruir o ambiente, aterrando parte da área atingindo a boca do igarapé Urumari. Para tal prejuízo a empresa conseguiu uma ilícita licença ambiental da Secretaria Estadual de meio ambiente, SEMAs e apoio da SEMA municipal. Solicitado pela sociedade civil organizada, Ministério Público Federal impôs imediata paralização da construção do terminal.  A empresa terá que primeiro realizar consulta prévia, livre e bem informada às comunidades afetadas por tal empreendimento. Paralisa tudo, a SEMA Estadual terá que responder porque liberou uma licença falsa. Este acontecimento é um sinal de que quando gente cidadã e cristã comprometida tem atitude, a libertação acontece.

Outro sinal de esperança, é mais um alerta para todos os moradores dos municípios de Belterra, Mojuí e Santarém. Foi um seminário ocorrido durante a semana aqui na cidade Pérola bastante mal trada do Tapajós. Com o tema Sintropia – ciência, agricultura e floresta, vários pesquisadores e cientistas, juntamente com plantadores de soja e movimentos sociais participaram. O palestrante que mais chamou a atenção do plenário foi Antonio Donato Nobre, agrônomo com mestrado em biologia tropical. Ele afirmou que a monocultura de soja e milho tem dias contados para fracassar. Isto porque ele sabe que com desmatamento intensivo, começa a faltar chuvas na região. Pesquisou municípios de Sorriso e vizinhos no Mato Grosso e garante que lá já diminui a safra de soja, por falta de chuva. Na região de Mujuí, Belterra e Santarém, já são mais de 70 mil hectares de terra sem floresta, plantados com soja. Portanto, em breve cairá a produção do agronegócio. Aliás o melhor exemplo do que diz o pesquisador é a realidade de Fordlândia e Belterra, da antiga plantação Ford de seringueiras que fracassou.

O mais grave desse alerta do biólogo é que quando daqui a pouco, a produção de soja fracassar na região, os forasteiros que aqui chegaram certamente irão embora, mas deixam o rastro de venenos agrícolas contaminado as terras, igarapés e matas sem floresta.

Mas o fato de acontecido o seminário Sintropia, agricultura e floresta em Santarém, até com a presença de plantadores de soja, é um sinal de esperança, que deve ser levado adiante, com denúncias ao MPF, IBAMA, INCRA e outros órgãos de responsáveis de cuidar de nossa Casa Comum. O futuro de nossa região, não está totalmente perdido, depende muito de cidadãos e cristãos, que sigam o exemplo do Papa Francisco e de Jesus de Nazaré.

Sínodo para a Amazônia chega em boa hora

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Notícia para Rio Mar  – 09.09.2019

Boa tarde Gecilene e você ouvinte fiel. Fico imaginando como fica você diante dessas notícias graves sobre nossa Casa Comum a Amazônia. De um lado, os fatos de tantos incêndios como nunca antes, também o constante destruição de matas, florestas e rios com barragens; de outro lado, o governo federal dizendo que cuida da Amazônia e que a culpa de tantos incêndios é sua, minha e dos moradores da região. De um lado a destruição e de outro madeireiros, mineradores, garimpeiros, fazendeiros entrando e derrubando mata, violentando rios. Assim acontece em Lábrea, Presidente Figueiredo, como também no Pará, Mato Grosso, Roraima e em toda a Amazônia.

Então você pode estar se perguntando, quem fala a verdade? Que tipo de melhoria de vida se quer para os povos da Amazônia? Hoje quero partilhar com você o que explicou outro dia uma pessoa merecedora de confiança, o arcebispo de Porto Velho, Dom Roque Paloschi. Reflita conosco o que ele   disse: “A Igreja tem insistido diuturnamente com os católicos para que assumam esse compromisso de cuidar do meio ambiente. Na sua experiência histórica, a Igreja tem tentado mostrar aos fiéis o grande equívoco que é a ocupação e a destruição da Amazônia como vem acontecendo. Ninguém é contra o desenvolvimento, mas a pergunta é que tipo de desenvolvimento nós queremos”. O bispo não é tolo, mas compreende que não é progredir a torto e a direito, sem respeita a natureza. Escute mais do que ele diz: “O que está em jogo na Amazônia são dois projetos bem distintos. O projeto da conservação e da extração dos produtos na linha do extrativismo, e o projeto embalado pela ganância de alguns, que acham que é preciso derrubar tudo, queimar, colocar o capim e colocar a soja. Um projeto parte do respeito à natureza e uso de toda uma riqueza que a Amazônia possui, mas por caminhos de mais harmonia; e outro que quer explorar os recursos naturais como se fossem infinitos. Aí é que paira o problema”.

 

Por isso, ouvinte quando  hoje a gente ouve o Papa Francisco promovendo uma reunião de um mês sobre como tratar do Reino de Deus na região, no sínodo para a Amazônia, ele  um sul americano como nós sabe que Deus nos encarregou de cuidar da natureza e usufruir sem destruí-la. E o arcebispo de Porto Velho reforça esse compromisso de todos nós cristãos de todas as Igrejas. Diz ele: “A preocupação do papa é que a Igreja seja sempre ocupada e preocupada na defesa da vida e da dignidade das pessoas, capaz de se empenhar no cuidado da Casa Comum. Não estamos falando só do Brasil. São nove países que compõem a região Pan-Amazônica. Não estamos buscando outra coisa a não ser o bem e a fidelidade da missão. Não estamos falando dos destinos da política na Amazônia, mas dos destinos da Igreja na Amazônia. Todo mundo tem uma opinião para dar, e isso também é respeitado. É importante dizer que a Igreja não é contra esse ou aquele governo, mas também temos a missão de anunciar a boa nova e denunciar tudo aquilo que leva à morte “.

 

Portanto, ouvinte da Nossa Radio Rio Mar, onde você estiver hoje leve a sério as orientações do Papa Francisco e do arcebispo de Porto Velhos. Eles são nossos companheiros e podemos confiar neles.

 

 

 

Novos caminhos a partir das vidas amazônicas

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Editorial  RNA  06.09.2019

Amazônia Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral, este é o tema central sínodo para a Amazônia. Quando o Papa Francisco convocou este tipo de reunião de líderes da Igreja Católica dos nove países que tem Amazônia em seus territórios, tinha bem claro uma grande preocupação. Visitando o Brasil, cinco anos atrás e o Perú  em 2017, sendo ele também um sul americano, sabia que não dá mais para uma evangelização desligada da realidade dos povos tradicionais e também as agressões do capital às riquezas da região.  Como Jesus em sua missão na Galileia, Não se pode falar de Deus e do Reino do céu, sem enfrentar os sofrimentos do povo.

O sínodo convocado pelo Papa Francisco busca novos caminhos para a evangelização, ao mesmo tempo que se deve cuidar da casa comum, criada por Deus para ser usufruída por todos sem destrui-la, daí a inclusão da ecologia integral a ser refletida e comprometida pela Igreja da Pan Amazônia.

Por isso que a preparação do sínodo está sendo estudado por grande parte das dioceses da Amazônia, ao mesmo tempo que está incomodando, católicos reacionários e o governo federal. Discutir problemas sociais e ambientais da Amazônia num encontro religioso, de um lado, incomoda católicos que só alimentam sua fé numa espiritualidade individualista e moralista; de outro lado, perturba um governo que para atender interesses de empresários e setor financeiro, se sente dono da Amazônia a entrega à ganância do agronegócio e grileiros. Daí porque o general Heleno, ministro da segurança nacional se acha no direito de querer enfrentar o Papa Francisco e os bispos brasileiros, dizendo que não admite ingerência da Igreja na soberania nacional. Como se o governo e os militares fossem donos da Amazônia.

Se de fato o governo Bolsonaro cuidasse da Amazônia, que não é dele mas do povo Brasileiro e mais ainda, tão necessária para o equilíbrio do planeta terra, general Heleno, Ricardo Salles, ministro do meio ambiente e o próprio presidente, já teriam garantido recursos e competência aos órgãos de fiscalização, como IBAMA, ICMBIO e FUNAI. Assim não haveria esse horror de 5 mil quilômetros quadrados de mata destruída em um ano e 70 mil incêndios atuais na Amazônia. O sínodo para a Amazônia é uma urgência para a evangelização, goste ou não goste Bolsonaro e seus ministros.