Se a Igreja soubesse usar a força que tem

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Análise da semana   Nossa Voz é Nossa Vida   01.09.2019

“Se o boi soubesse da força que tem não puxava carroça, e a abelha a dor da picada não roubavam seu mel”, diz uma cantiga popular.  Como também, se os líderes da Igreja Católica soubessem usar o poder que  tem  em defesa da Nossa Casa Comum, a Amazônia, o governo brasileiro não continuaria a deixar a destruição violenta que está acontecendo na região. Se os líderes da Igreja soubessem usar a força que tem com mais de 250 bispos, milhares de padres, religiosos/as e leigos/as das paróquias e áreas pastorais, a Amazônia não estaria desmatada e cheia de fazendas de gado e milhares de hectares cheios de soja, milho com agrotóxicos, cheia de tantas hidroelétricas violentando rios e populações tradicionais.

O governo Bolsonaro sabe a força que tem a Igreja e por isso se preocupa com o Sínodo para a Amazônia convocado pelo Papa Francisco para o próximo mês de outubro. Seus ministros já leram o documento preparatório e sabem que a proposta de evangelização para a Amazônia inclui enfrentar a situação, tanto dos povos tradicionais e indígenas, como a questão da ecologia integral, que inclui enfrentamento das violências causadas na biodiversidade da região.

O governo submisso aos empresários do agronegócio, tem permitido a destruição das florestas para aumentar a produção de soja, milho, algodão, além de grandes fazendas de gado, tudo para exportação internacional e enriquecimento dos empresários. Por conta dessa política perversa, só no ano passado foram mais de 5 mil quilômetros quadrados de floresta destruída. E nestes últimos meses são 70 mil incêndios em cinco Estados da Amazônia. Tão grave é a destruição que mesmo países compradores de produtos brasileiros na Europa, já ameaçaram parar de comprar produtos oriundos da Amazônia incendiada. Ou o governo brasileiro para de destruir as florestas, tão importantes para o equilíbrio do clima no planeta, ou deixam de comprar soja, carne e demais produtos da Amazônia. Esses sabem usar a força que tem.

Sobre o poder que tem a Igreja Católica, sabe o General Heleno, ministro da segurança nacional do governo Bolsonaro. Ele afirmou outro dia que espera que o Sínodo para a Amazônia se limite às questões religiosas e não se envolva a discutir questões ambientais e políticas públicas. O governo Bolsonaro está preocupado com a realização de um sínodo debatendo a vida dos povos da Amazônia, incluindo debate sobre Ecologia integral, que vai tocar nas questões da destruição de florestas, uso indiscriminado de agrotóxicos nas plantações. O próprio general Heleno afirmou que teme a Igreja se envolvendo em questões de soberania Nacional, já que 70 mil focos de incêndio e milhares de quilômetros de desmatamento atingem em cheio o planeta. Esta é uma das razões porque o Papa Francisco tem se manifestado com a urgência da ecologia integral.

Agora imagine se os líderes da Igreja Católica pressionarem o governo brasileiro, como estão fazendo países da Europa, que ameaçam deixar de comprar carne, soja e outro produtos oriundos da Amazônia, caso o governo continue destruindo a região como está fazendo, aí sim Bolsonaro e seus ministros seriam obrigados a parar de liberar tantos agrotóxicos, cuidar melhor dos povos indígenas e produtores familiares e assim, parar a destruição do pulmão do planeta. O sínodo convocado pelo Papa Francisco sobre uma nova maneira de evangelizar na Amazônia, vai sim debater essas questões ambientais e certamente terá conclusões práticas que vão confrontar os erros do governo brasileiro causando à Amazônia. Resta saber se o Igreja Católica vai saber usar a força que tem. Inclusive as comunidades aqui da diocese de Santarém.

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