Que futuro tem o meio rural da Amazônia

Postado em

Painel Desenvolvimento Rural e comunidades sustentáveis

Perspectivas dos Movimentos sociais do Baixo Amazonas

3/9  –  10:45 Ufopa Rondon

Participação de Edilberto Sena em painel

Objetivo – Contextualizar o entendimento das entidades e Movimentos em relação ao futuro do Rural e sobre as comunidades sustentáveis. Qual a defesa do território?

Nossa Contribuição:

  1. O futuro do Mundo rural da nossa região tem tudo para ser um lugar de Bem Viver. Aqui tem a floresta rica em produtos nutrientes e gostosos, terra adequada para produção de mandioca, macaxeira, inhame, milho, arroz, feijão frutas tropicais abundantes. Como diz o ditado, em se plantando tudo dá. E tem água, muita água dos rios, do subsolo e do céu.

 

  1. O futuro do Rural, porém – Não é muito promissor:
  • Invasão do agronegócio, disputando espaços com a monocultura de exportação. Hoje ao menos 70 mil hectares de terra agricultável nos três municípios vizinhos (Belterra, Mojuí e Santarém) estão ocupadas com monoculturas de soja e milho;
  • Uso intensivo de agrotóxicos na monocultura está contaminando ar, terra e águas. Tem aumentado visivelmente o índice de câncer na região. De acordo com estatística do Hospital Regional de Santarém, só neste ano entraram para tratamento ali 1.776 pacientes. No ano passado, foram 18.675 consultas oncológicas no HRS. O médico neurocirurgião, Dr. Erick Jennings afirma que, mesmo não havendo ainda pesquisa sobre causa e efeito, é visível que o aumento de casos vem desde o início deste século, quando chegou a monocultura da soja na região.
  • Outro fator para triste futuro do povo rural – é a ausência quase completa de assistência técnica dos órgãos municipal, estadual e federal ao agricultor familiar. Enquanto o governo federal libera 220 tipos de agrotóxicos e farto financiamento para o agronegócio, estão inoperantes INCRA, EMBRAPA, Secretarias de agricultura estadual e municipal. O agricultor familiar está entregue à própria sorte.  Boa parte dos produtos granjeiros que encontramos nas feiras e supermercados é importada;
  • Consequência desta realidade é o êxodo Rural. Com a chegada dos produtores de soja na região, muitos agricultores familiares venderam seus lotes e vieram para a periferia das cidades. Calcula-se que aqui na região, entre 30 e 35 por cento dos moradores ainda continuam no meio rural, Os outros vieram para a cidade, basta conferir a quantidade de bairros periféricos em Santarém, como exemplo.

Município de Monte Alegre, 40 anos atrás era grande exportador de banana, feijão canário, tabaco, hortaliças e pimenta do reino. Hoje tem umas criações de gado e exporta um pouco de limão para Manaus. E assim, acontece em Lago Grande do Curuai antes exportador de farinha e hoje mal produz para sustento local.

A vila de Curuai hoje está com cinco bairros, por que muitas famílias deixaram as comunidades para vir em busca de educação para os filhos. 20 anos atrás ali eram só três bairros.

Aqui no Eixo Forte, com 18 comunidades, 30 anos atrás era grande produtor de farinha boa, macaxeira, açaí, tapioca, etc. Hoje está cheia de balneários e os moradores são caseiros, ou vivem de salários como funcionários públicos municipais, ou aposentados, ou bolsa família.

  1. Diante deste cenário sócio econômico que futuro tem o mundo rural no Baixo Amazonas? Nada promissor. Para mim um grande questão é: e quando daqui a uns poucos anos, quando a soja cai de produção e as terras estão contaminadas de agrotóxicos, o que vai acontecer? Os forasteiros que hoje invadem a região com o correntão derrubando matas, e forem embora deixando a desgraça feita, como vai viver o povo nativo rural?

O exemplo da companhia Ford em Fordlândia e Belterra com a monocultura de seringueira e o Ambicioso projeto Jari do gringo Luduvig em Monte Dourado, com o ambicioso projeto de celulose em um milhão de hectares de terra doados pela ditadura militar, são ilustrações comprovando que Monoculturas na Floresta amazônica são fadadas ao fracasso.

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