mesmo em noite de trevas estrelas brilham no céu

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Análise da semana  Nossa Voz é Nossa Vida  – 15.09.2019

Quando se vive momento triste e desanimador como o atual, que o cristão e um cidadão tem a refletir e realizar? Um inescrupuloso assassinato da democracia, como também da justiça social é o que vivemos hoje no país. Que fazer? Apenas orar e pedir de Deus para ele resolver nosso problema? Nem é atitude cidadã e nem cristã.

Jesus de Nazaré em seu tempo, conhecia a triste situação em que viviam os pobres, massacrados pelos romanos, por Herodes e pelos donos da religião oficial. Mesmo assim, o mestre saiu pela região dos massacrados, foi levantar a esperança dos explorados. Também precisamos cidadãos/ãs e cristãos/ãs encontrar sinais de esperança e alimentar nossa ousadia. Precisamos mudar as trevas e construir um mundo diferente.

Na semana que encerrou ontem, podemos perceber alguns sinais da esperança que floresce, mesmo nesse mar de lama nacional. Um desses sinais apareceu na ação do Ministério Público Federal ali no bairro da área Verde da grande Prainha. Foi preciso pressão de um grupo de moradores prejudicados por um projeto de construção de um terminal distribuidor de petróleo. Sem respeitar a convenção 169 da Organização internacional do Trabalho, começou a destruir o ambiente, aterrando parte da área atingindo a boca do igarapé Urumari. Para tal prejuízo a empresa conseguiu uma ilícita licença ambiental da Secretaria Estadual de meio ambiente, SEMAs e apoio da SEMA municipal. Solicitado pela sociedade civil organizada, Ministério Público Federal impôs imediata paralização da construção do terminal.  A empresa terá que primeiro realizar consulta prévia, livre e bem informada às comunidades afetadas por tal empreendimento. Paralisa tudo, a SEMA Estadual terá que responder porque liberou uma licença falsa. Este acontecimento é um sinal de que quando gente cidadã e cristã comprometida tem atitude, a libertação acontece.

Outro sinal de esperança, é mais um alerta para todos os moradores dos municípios de Belterra, Mojuí e Santarém. Foi um seminário ocorrido durante a semana aqui na cidade Pérola bastante mal trada do Tapajós. Com o tema Sintropia – ciência, agricultura e floresta, vários pesquisadores e cientistas, juntamente com plantadores de soja e movimentos sociais participaram. O palestrante que mais chamou a atenção do plenário foi Antonio Donato Nobre, agrônomo com mestrado em biologia tropical. Ele afirmou que a monocultura de soja e milho tem dias contados para fracassar. Isto porque ele sabe que com desmatamento intensivo, começa a faltar chuvas na região. Pesquisou municípios de Sorriso e vizinhos no Mato Grosso e garante que lá já diminui a safra de soja, por falta de chuva. Na região de Mujuí, Belterra e Santarém, já são mais de 70 mil hectares de terra sem floresta, plantados com soja. Portanto, em breve cairá a produção do agronegócio. Aliás o melhor exemplo do que diz o pesquisador é a realidade de Fordlândia e Belterra, da antiga plantação Ford de seringueiras que fracassou.

O mais grave desse alerta do biólogo é que quando daqui a pouco, a produção de soja fracassar na região, os forasteiros que aqui chegaram certamente irão embora, mas deixam o rastro de venenos agrícolas contaminado as terras, igarapés e matas sem floresta.

Mas o fato de acontecido o seminário Sintropia, agricultura e floresta em Santarém, até com a presença de plantadores de soja, é um sinal de esperança, que deve ser levado adiante, com denúncias ao MPF, IBAMA, INCRA e outros órgãos de responsáveis de cuidar de nossa Casa Comum. O futuro de nossa região, não está totalmente perdido, depende muito de cidadãos e cristãos, que sigam o exemplo do Papa Francisco e de Jesus de Nazaré.

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