crise do capitalismo + destruição da Amazônia + sínodo para a Amazônia

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Análise de conjuntura nacional a partir dos impactos na Amazônia – Setembro 2019

Para Misssão Signis/ RNA em Muaná Marajó – 19 a 22 de setembro 2019

  1. O que há de mais importante nestes tempos para nossa compreensão:

Destruição da Amazônia + Crise terminal do capitalismo + Sínodo para a Amazônia. Todos estão interligados para bem e para mal dos povos tradicionais da região.

 

Como alimentar esperança nesse tempo de trevas?

 

  1. Os incêndios (70 mil focos em agosto/setembro) e a contínua derrubada de floresta (5.000 quilômetros quadrados em 2018) Tem causas e causadores. Quais e porquê:
  • As ambições do agronegócio, dos mineradores, dos madeireiros r fazendeiros. Eles exportam tudo para o mercado internacional milhões de toneladas de soja para China, Europa e Índia; exportam carne de gado para mais de 100 países; exportam madeira ilegal para Europa, Canadá e Estados Unidos da América do Norte. Exportam couro de boi (2 bilhões de dólares em 2018), etc;
  • Um desgoverno irresponsável e submisso aos interesses desses predadores da Amazônia. Liberou 220 agrotóxicos neste ano; esvaziou IBAMA, ICMBIO, FUNAI; estimula invasão de terras indígenas pelos grileiros.
  • Sociedade passiva, desunida e sem resistência. Estamos vendo a casa pegar fogo e não enfrentamos a realidade. Os ricos se enriquecem, as autoridades fazem de conta que trabalham e nós perdemos direitos da saúde, educação, moradia, etc sem uma reação firme em defesa dos nossos direitos.
  1. A causa mais profunda da destruição da Amazônia a serviço do capital é a crise mais profunda do capitalismo neoliberal. 2.008 esoura a última grande crise do capitalismo mundial, com a falência dos Bancos norte americanos, salvos pelo Banco Central deles. No Brasil de FHC já houve a crise dos bancos brasileiros já antes da crise mundial. O sistema bancário foi “salvo” pelo, PROER

(Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema financeiro Nacional 1995). “o programa de intervenção no sistema financeiro acabou acelerando o processo de concentração bancária no Brasil. O Banco Nacional foi incorporado pelo Unibanco, que depois foi vendido ao Itaú. Já o Bamerindus foi vendido ao HSBC, comprado este ano pelo Bradesco. O Banco  Econômico foi vendido na época ao Banco Excel, depois comprado também pelo Bradesco, que já tinha adquirido o Banco Pontual. Tudo isso foi arrumado pelo PROER de FHC.

  • A crise mundial do capitalismo foi crescendo, à medida que o capital financeiro cresceu sem controle prejudicando o capital produtivo. O que foi isso:

** Capital produtivo é tudo que os seres humanos produzem e vendem (indústria, agronegócio, extrativismo, etc);

** Capital financeiro é tudo que gera mais capital sem produção. As dívidas públicas dos países, os empréstimos de empresas para outras e o endividamento das pessoas. Jessé de Sousa em seu livro A Classe Média no Espelho, descreve assim a roubalheira do capital financeiro no dia a dia: “O capitalismo financeiro cria não só uma forma específica de acumulação de capital, com ritmo e lógica peculiares, mas também uma concepção de felicidade e uma nova narrativa para o mundo social… Esse assalto da consciência pública foi planejada, implantado com diabólica inteligência e com muitos recursos aplicados na compra da imprensa, da universidade, centros de pesquisa, etc… De acordo com o sociólogo Jessé – “ Em 2005 (governo Lula) a população estava aumentando seu poder de compra, então os Bancos decidiram botar no bolso dos rentistas, elite e alta classe média, a riqueza que era coletiva (bolsa família, salário mínimo atualizado, etc).  Como? As pessoas físicas pagavam em fins de 2017, juros de 139,91%  na compra a crediário, 65,35% nos empréstimos pessoais junto aos Bancos, 297,18% no cheque especial e 326,14% no rotativo do cartão de crédito”. E conclui o Jesse de Souza; “como justificativa desse assalto legalizado, os Bancos  culpam a tendência dos brasileiros ao não pagar suas contas em dia. Como se a alta inadimplência não fosse resultado dos juros abusivos dos Bancos”.

** Hoje no mundo enquanto o capital produtivo gera 90 trilhões de dólares, o capital financeiro gera 270 trilhões de dólares e continua crescendo. Tem mais dinheiro sem moeda e sem produtos circulando no mundo.

** O nosso caso – a dívida pública do Brasil (que alimenta o capital financeiro) é hoje cerca de 4.500 trilhões de reais. 2/3 dessa dívida é interna, dívida aos Bancos (Bradesco, Itaú, Santander, etc. Com agravante que esses Bancos junto com o BB e Caixa devem à Previdência social 450 bilhões de reais. Mais um absurdo: 48% de toda a arrecadação de impostos federais é entregue fielmente para pagar os juros da dívida eterna do país. Por isso, o governo Bolsonaro retira verbas da educação, do SUS, da FUNAI, entre outras.

** Com a crise aguda do sistema neoliberal, os países ricos invadem e saqueiam os países periféricos, como Brasil, Argentina e toda América latina e África. Aqui ainda há riquezas que eles cobiçam. Daí a prostituição do governo Bolsonaro ao governo norte americana. Daí o incentivo ao agronegócio, mineração e invasão aos territórios indígenas e áreas de proteção ambiental. Daí a entrega da Base de Alcântara aos gringos, a venda da EMBRAER à BOING, etc. Não começou com Bolsonaro, pois FHC foi um dos mais vira lata governos que iniciou a privatização das empresas estatais, Mas com Bolsonaro agora a situação chega ao fundo do poço da não governança para o povo.

  1. Como está a resistência da sociedade civil à rapina na Amazônia e no país todo?
  • Pode se dizer que o “gigante adormecido” começa a despertar acossado pela fome de justiça social, política, e democracia. Os desmonte do Estado brasileiro (venda de empresas, destruição das leis trabalhistas e previdência social; desmoralização da política e judiciário, tudo isso e um presidente boçal e psicopata, estão um pouco tardiamente provocando sinais na sociedade civil.

Ainda pontualmente tem havido atos e ações de inconformismo com a situação:  Caminhoneiros em greve no ano passado; passeatas nas ruas, protestos pela prisão de Lula da Silva; manifestações estudantis, etc. Todos ainda pontuais sobre interesses menores, inclusive as manifestações indígenas.

Aldo Fornaziri – Professor da Escola de Sociologia e Política afirma o seguinte: Aos poucos surgem sinais significativos de que grupos sociais começam a reagir contra o autoritarismo, contra a fúria destrutiva, aos desmandos de Bolsonaro e de outras figuras públicas identificadas com a extrema-direita. Essas reações também vão ocupando espaços públicos e se transformando em mobilizações e manifestações. De modo geral, essas reações da sociedade têm um caráter espontâneo, no sentido de que não são dirigidas e nem lideradas por partidos políticos”.

 

As oposições partidárias – finalmente agora começa uma articulação dos partidos de oposição para enfrentar as próximas eleições. Estão se juntando PCdoB, PT, PSB, PSOL, ?? Lideram essa articulação Flávio Dino do Maranhão, Haddad do PT, Boulos do PSOL. Porém, continua choramingando e tentando aparecer como único capaz de assumir a presidência da república e mudar o País, o Ciro Gomes. Ele tenta criar outra articulação composta de partidos do centrão como Solidariedade, O Novo.

O professor Aldo Fornaziri diz também : Com efeito, os partidos políticos de esquerda estão desarticulados, desorientados e sem estratégias. Em 2013 perderam a direção dos movimentos de massa e, de lá para cá, permanecem numa defensiva política e estratégica e, mesmo num momento favorável como agora, não conseguem sair do defensivismo”.

  • A Igreja Católica – Pressionada pela convocação do sínodo para a Amazônia hoje tem assumido declarações mais  em busca de democracia no país. Mas, como diz a cantiga “se o boi soubesse da força que tem não puxava carroça…”se a Igreja soubesse usar a força que tem, com 250 bispos, milhares de padres e religiosas/os, grupos de leigos congregados. E usasse em poder o governo Bolsonaro já teria recuado das violências que está fazendo com trabalhadores, estudantes e a democracia.
  • Alguns sinais da CNBB aparecem mais recente, pela força de atuação do Papa Francisco.
  • A maioria dos padres se ocupa com a catequese e os sacramentos e pouco se interessam pelo social como essencial à Evangelização
  • Tudo indica que a formação teológico pastoral dos padres dos últimos 20 anos, é bastante limitada, que impede de muitos deles não saberem falar do reino de Deus, a partir da realidade sócio econômico ambiental da Amazônia. É justamente o que Papa Francisco tenta provocar com o sínodo para a Amazônia.

O SÍNODO PARA A AMAZÔNIA

 

**Importante que não será um sínodo SOBRE mas PARA a Amazônia. Qual a diferença?…

  • Uma nova orientação sócio pastoral e uma nova dinâmica para a Igreja, que deve compreender os desafios enfrentados pelos indivíduos, famílias e grupos no âmbito destas várias dimensões:
  • não podemos proporcionar aconselhamento espiritual e cuidado pastoral se as pessoas forem consideradas em separado (ou seja, de forma não integrada) do modo como vivem e agem, tendo em conta as condições naturais, econômicas e sociais com que se deparam”.
  • Afirmou o jesuíta novo cardeal Michael Kzerny.
  • Por que PARA a Amazônia e não para África, ou para China?…
  • O que acontece hoje na Amazônia, atinge as geleiras do ártico, os terremotos no mundo, as secas na África e mais…

 

  • crise da região amazônicavai chegando ao ponto de não retorno e a Amazôniaé agora um dramático novo assunto na ordem do dia.
  • Os problemas gerais respeitantes à vida humana e ao ambiente natural desta região são indiscutíveis. Ambos – vida humana e ambiente – estão sofrendo uma séria e talvez irreversível destruição.
  • Tem uma extensão de 7,8 milhões de km2, aproximadamente a mesma dimensão da Austrália.
  • Inclui áreas do BrasilBolíviaPeruEquadorColômbiaVenezuelaGuianaSurinameGuiana Francesa.
  • Conta com cerca de 33 milhões de habitantes, 3 milhões dos quais são indígenaspertencentes a 390 grupos ou povos diversos.
  • O seu impacto no ecossistema planetário pelos ciclos da água, da energia e do carbono a nível planetário.

 

Que significa NOVOS CAMINHOS para a Igreja na Amazônia

  • O Sínodo diz respeito a todas as partes envolvidas: quem se encontra agora na Amazônia; quem está próximo; quem pretende dirigir-se para lá; e o resto do mundo.
  • E, no âmbito dessa perspectiva global, a Igreja está procurando proporcionar uma liderança que escuta, respeita e quer aprender: “A cultura da Amazônia, que integra os seres humanos com a natureza, se constitui como referente para construir um novo modelo da ecologia integral”.

< O Sínodo ajudará a que todos – indígenas, moradores dos rios, descendentes de africanos, mestiços, migrantes andinos e habitantes das cidades – assumam a sua identidade amazônica e a encontrar uma estrutura eclesial e estatutos apropriados para os seus específicos requisitos pastorais.

            SÍNODO=Caminhar juntos

  • Esse Sínodo, esse “caminhar juntos”, não termina com a Missa conclusiva, nem com a apresentação do Documento final ao Papa, nem mesmo com a subsequente Exortação apostólica, que será publicada provavelmente na primeira metade de 2020.
  • Ele apontará para uma possível implementação, por parte do Povo de Deus e de outros, de ações para proteger uma parte específica da grande casa comum em que todos vivemos, bem como de novos caminhos pastorais para a Igreja.
  • Para a terra e a humanidade no seu conjunto, a Amazôniaé parte vital da nossa casa comum. Se a Amazônia for ainda mais depredada, a atmosfera poderá tornar-se demasiado contaminada e quente para sustentar a vida.
  • E como é que a Igreja pode ajudar a encontrar os novos caminhos necessários? “O mundo amazônico pede à Igreja que seja sua aliada”.

Reflexões conclusivas

Responsam em grupo”:

  • Como sua região revela os impactos dessa conjuntura nacional e amazônica?
  • Como tem sido a preparação de seu grupo sobre o SÍNODO? Diga três pontos essenciais da preparação do Sínodo…

 

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