Mês: outubro 2019

E agora que o SÍNODO encerrou?

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Editorial RNA 29.10.2019

E agora que o Sínodo da Amazônia foi concluído? Entre outros compromissos, foi assumida a ecologia integral, que abrange os cuidados com a justiça social, a política com seriedade, uma economia sustentável e o cuidado com o ambiente. Se for assumido firme por cidadão honestos, cristãos que levam a sério o projeto do mestre Jesus e políticos éticos, certamente a Amazônia terá melhorias, mesmo que enfrente conflitos com os que a buscam apenas como lugar de saque e busca de lucros.

Da parte dos cristãos vai ser urgente uma mudança de mentalidade clerical de muitos bispos, padres e animadores de comunidades. Eles que deverão ser os primeiros a dar exemplo de uma Igreja sinodal, caminhando junto com seu povo. Deverão enfrentar os impactos da invasão capitalista, que destrói o bem viver dos povos tradicionais. O sínodo compromete a Igreja com a construção de um bem viver. É contrapor aos planos de extrativismo predador. Levar a sério as conclusões do sínodo, é enfrentar conflitos com quem olha a Amazônia, apenas como um eldorado de riquezas a serem retirados e deixando estragos para os que vivem na região.

Muito vai depender da mudança de mentalidade, tanto dos líderes cristãos, políticos, bispos, padres, educadores e movimentos sociais. Inclusive os responsáveis das emissoras da Rede de Notícias da Amazônia. A RNA surgiu como instrumento de integração dos lutadores sociais, partilhando informações estimuladoras da luta comum. Outro compromisso estrutural da RNA é a defesa da Casa Comum. As emissoras sócias  precisam interpretar bem o conteúdo do sínodo e a luta do Papa Francisco pela defesa da grande Amazônia. Dificuldades e conflitos surgirão, como o próprio Papa Francisco tem enfrentado. Mas, concluído o sínodo, não será mais possível vermos a Amazônia sendo destruída e seus povos abandonados e líderes de braços cruzados.

 

Análise de conjuntura nacional com foco na Amazônia

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Capítulo dos Frades Franciscanos – São Benedito – 25.10.2019

 

  • A conjuntura no tempo – com uma estrutura democrática em desmonte, a conjuntura muda quase a cada semana. Mas também há fatores positivos na conjuntura amazônica como o sínodo Para a Amazônia. Daqui a uma semana, quando apresentaremos a análise, provavelmente já haverá outros fatores em andamento.
  • Lembremos que há conjunturas acidentais, como um raio que cai, no entanto a grande maioria das conjunturas é consequência de uma estrutura frágil, como também por fatores humanos, como é o caso da atual conjuntura da nossa Amazônia. Uma casa construída com esteio de embaubeira, facilmente poderá cair”.
  • Na conjuntura destes dias, os fatos mais relevantes para nossa análise são: o desmoronamento da democracia brasileira; o grau de destruição da infraestrutura da Amazônia; impactos na Amazônia e seus povos; a correlação de forças; o sínodo para a Amazônia e as perspectivas para a Igreja e para a ecologia integral.
  • Vamos por partes:
  • O desmoronamento da democracia – O Brasil que há dez anos era a sexta economia mais forte do planeta, hoje está sem rumo. Mesmo tendo uma reserva cambial de cerca de US$ 280 bilhões de dólares, o que lhe garantiria sobreviver à crise do capitalismo internacional, hoje gasta 48% de toda a arrecadação de impostos para pagar juros da dívida pública. Os maiores credores do Brasil são Bancos públicos e privados, que devem ao mesmo tempo, 450 bilhões à Previdência Social.

# com um governo sem responsabilidade social, guiado por um banqueiro medíocre (Paulo Guedes), os dirigentes federais decidem privatizar o patrimônio econômico do país (Embraer, Alcântara, Eletrobrás, Pre Sal, etc).

  • A destruição da Amazônia – De 2003 até 2018 foram 140 mil quilômetros de floresta destruída. Com a entrada da soja na região se intensificou o desmatamento. Além da soja, ampliaram as fazendas (Brasil exporta carne de gado para mais de cem países, além de frango e porco. Ao mesmo tempo acelerou a exploração madeireira e mineral. O rio Tapajós turvo e envenenado por mercúrio é um exemplo. Pra ampliar a destruição chegam as logísticas a serviço da exportação de comodities. Daí o asfaltamento da Br. 163, os 23 portos previstos entre Santarém e Miritituba, a ferrogrão com 940 quilômetros entre Lucas do Rio Verde e Miritituba. Com estímulo do governo Bolsonaro e seus ministros do meio ambiente e da agricultura também irresponsáveis, grileiros e garimpeiros se sentem livres para exigir invasão de terras indígenas. Bolsonaro, bobo da corte dos empresários ironiza dizendo: “índio porra que nada, é o minério que interessa”.
  • Os maiores impactos recaem sobre a natureza e sobre os povos tradicionais. Calculam os pesquisadores que 18% da floresta amazônica já está desmatada. Se continuar nesse ritmo e chegar a 25 % do desmatamento, a Amazônia desequilibra e se torna uma savana sem retorno. Também os moradores da região, hoje em torno de 25 milhões de seres humanos, estamos sendo impactados e não só os indígenas, ribeirinhos e moradores nos entornos das barragens. Todos estamos sofrendo já os impactos negativos da destruição. O envenenamento com agrotóxico nas plantações de soja e nos produtos vegetais importados (tomate, repolho, laranja maçã, etc). Para se ter ideia da gravidade, em pesquisa no Hospital regional em Santarém, foi constatado que só neste oito primeiros meses do ano entram na área de oncologia 1.776 em tratamento. Em média 48 casos de câncer de próstata. Dr. Erick afirma que mesmo não havendo pesquisa científica, desde que entrou a soja na região aumentou o número de pacientes com câncer.
  • A correlação de forças na atual conjuntura – aqui está um gargalo na soberania dos povos da Amazônia e do país todo. Como o governo Bolsonaro, tem tido uma segurança meio oculta para destruir as regras do jogo, vai desfazendo os direitos dos trabalhadores, estudantes, doentes, indígenas, etc; vai entregando o patrimônio nacional (Petrobrás, Embraer, Eletrobrás, Alcântara, etc; ao mesmo tempo vai estimulando a destruição da Amazônia sem escrúpulo. Ao mesmo tempo as resistências da sociedade são ainda muito frágeis. No País, nem as centrais sindicais, nem os partidos de oposição, conseguem criar uma unidade forte para enfrentar os desmonte da democracia. O PT não consegue ser solidário com os outros partidos que buscam uma unidade. De um lado PT se sente no direito de comandar, por ter mais deputados federais eleitos; de outo lado fica muito dependente do Lula da Silva. Este mesmo dentro da prisão, em quem parece dar as cartas do partido. Por exemplo, impôs recentemente o nome da Gleice Hoffmam para presidência do Partido, quando um grupo dentro do partido queria o nome de Haddad. Pelo lado dos Movimentos sociais a resistência é muito pontual (caminhoneiros, indígenas, quilombolas); Aqui mais perto de nós é ainda mais frágil. Temos o STTR, o MTV, o CITA, a Pastoral social. Em Itaituba está havendo mais uma desgraça com a dragagem dos portos das empresas em frente da cidade e até agora, tem uma tentativa de trazer a denúncia para o MPF em Santarém, mas por falta de dinheiro não fizeram ainda.
  • A Participação da Igreja na Conjuntura e a presença do Sínodo Para a Amazônia –
  • Em matéria de compromissos assumidos, a Igreja na Amazônia pode impressionar. Documento 1972 em Santarém “ Cristo aponta para a Amazônia”, Documento de 2012 “Memória e Compromisso”, Documento de Manaus 1997 “ A Igreja se faz carne e arma sua tenda na Amazônia”; Assembleia diocesana de Santarém 2014 – depois de uma pesquisa prévia que constatou entre outras coisas, que a Pastoral concreta nas regiões pastorais não conseguia ligar a fé com a vida real, tirou como prioridades para 2015/2017 Pastoral social focalizando a dimensão social da Evangelização, defesa da vida e dos povos da Amazônia. No entanto, não avançou para a prática. Impressiona o número de dez pastorais sociais, porém são equipes isoladas fazendo seu trabalho sem que as paróquias assumam o mesmo compromisso.
  • Mas agora chegou o Sínodo Para a Amazônia – o que tem de novo e como está sendo cultivado na diocese:
  • Um novo Pentecostes acontece na Igreja de Jesus. Tinha que surgir um profeta no século 21 para que o vento do Espírito venha soprar com força dentro da Igreja, o Sínodo Para e não sobre a Amazônia. Por que Para e não Sobre?
  • Dois objetivos centrais são buscados pelos participantes sinodais: Novos caminhos para a Igreja na Amazônia e para uma ecologia integral. Que significam: Novos caminhos e Ecologia integral? …
  • Alguns pontos em discussão:

** enculturação da Evangelização para a Amazônia;

** Foco nos povos indígenas por quê?

** Padre casado em cada comunidade cristã

** Nossa Casa Comum a teologia da criação (Gênesis 1)

** ???

  • Perspectivas:
  • A nível de Brasil e Amazônia – sombrio, vamos levar uns 20 anos para voltar a ser um país em desenvolvimento e uma democracia mais ou menos madura;
  • Igreja encarnada e evangelizadora na Amazônia, vai depender de uma real conversão da hierarquia (bispos, padres e religiosos/as) para que as decisões do sínodo armem a tenda na Amazônia. Pelas conclusões do sínodo, não se pode garantir que em breve teremos uma nova evangelização na Amazônia, pois depende muito das hierarquias e estas caminham em ritmo de jaboti
  • Na diocese de Santarém esperamos que o Espírito Santo tenha vez na escolha de um novo bispo corajoso, líder natural, profeta e perseverante para nos ajudar a mudar.

** Peimwieo grande desafio do novo bispo será cuidar ntender e

trabalhar uma conversáo de nós Padres. H[a problemas s[erios entre

nós, além de que vários se sentem autónomos demais. Por isso, uma

das qualidades urgentes do novo bispo será a capacidade de

enfrentar esse problema clerical’

** Um outro desafio para o novo bispo será levar adiante as conclusóes

do S[inodo Para a Amazönia aqui na diocese. Ajudar o povo a tornar

a questão social e ambiental como essencial à evangelizacáo.

** Um terceiro desafio urgente ao novo bispo – Salvar a Radio Rural da

falencia primeiro montando um plano de buca de recurso entre os e

as catolicas para cobrir as divdas e segundo reestruturar a direcao

da emissora para torna-la uma FM cristä comprometida com a

cidadania.

 

 

 

 

 

De onde chega o petróleo nas praias?

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Notícia para Rio Mar –  28.10.2019

Boa tarde Gecilene, boa tarde servidores da Rádio Rio Mar e você ouvinte tenha uma boa note daqui a pouco.  Já imaginou se parte de petróleo derramado nas praias do Nordeste chegarem até Manaus? Quais seriam os principais desastres? Não duvide, pois o derrame é imenso e já chegou um pouco ali na costa do Amapá, portanto, chegando ao rio Amazonas. Mesmo que não chegue por aqui aquele desastre você não se importa? Veja só as informações que estão chegando.

A chegada de manchas de óleo no nordeste– é um caso inédito no mundo e ainda não é possível prever o seu fim. A avaliação é da coordenadora de Emergências Ambientais do Ibama (Instituto Natural do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), Fernanda Pirillo, responsável pelas operações de limpeza dos locais atingidos.

De acordo com o último balanço divulgado pelo órgão, na quinta-feira da semana passada, são 238 localidades afetadas em 88 municípios de nove estados.

Vejamos cinco fatos que não foram revelados até agora sobre esse maior acidente ambiental no mar brasileiro. Aqui informações do site Letras ambientais:

1) Não se sabe se o poluidor será responsabilizado pela contaminação das águas brasileiras.

Quase dois meses após o início da chegada dos resíduos às praias do Nordeste, a origem do vazamento de óleo continua desconhecida. Até o momento, temos apenas perguntas: o que de fato aconteceu? Qual foi o local da origem do vazamento ou derramamento de óleo? Quando se deu o incidente? Por que ele ocorreu? Quem foi o responsável pelo crime ambiental? Por que o desastre foi ocultado?

2) O Brasil possuía um plano pronto de contingência para poluição por óleo, mas não colocou em prática.

3) O Brasil não possui um sistema operacional permanente para monitorar derramamento de óleo no mar.

4)  Ações de emergência minimizam impactos socioeconômicos e ambientais.

Pesca é afetada por manchas de óleo nas praias.

Até agora, as circunstâncias do vazamento de petróleo na Costa do Nordeste não foram esclarecidas, mas os prejuízos ambientais e socioeconômicos são incalculáveis. Sergipe e Bahia já decretaram situação de emergência por conta do problema.

Como não há confirmação do volume da descarga de petróleo nas águas, existe a possibilidade de esse material ser liberado gradualmente e as praias voltarem a receber o poluente.

 

5) Ventos e correntes marinhas trazem resíduos de petróleo para as praias do Nordeste.

 

As iniciativas de monitoramento de vazamento de óleo no mar passam pela análise dos dados oceanográficos e meteorológicos. A localização de um provável grande vazamento, ocorrido recentemente em águas brasileiras, ainda é totalmente desconhecida.

O vazamento de óleo no Litoral do Nordeste é o mais extenso já ocorrido no Brasil. Até agora, muitas são as interrogações: por que o incidente continua um mistério? Que interesses do governo brasileiro podem estar em jogo em relação ao esclarecimento do fato?

Então, com essas informações desastrosas, nós moradores da Amazônia, precisamos nos questionar, até quando as empresas capitalistas vão usar, abusar e destruir nossas vidas e nosso território? Vamos continuar de braços cruzados, olhando e fingindo não ver? Olhemos o povo do Chile dando exemplo de como se deve defender o que é nosso.

 

 

 

Como classificar personalidade do presidente?

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Editorial RNA 23.10.2019.”

Se alguém na Amazônia classificar a personalidade do presidente da república, como fará? Um louco? um analfabeto político? Um bobo da corte? Ou tudo isso e mais algum coisa? Pelo que ele acabou de afirmar lá em Tóquio nestes dias, é no mínimo um irresponsável. Observe o que ele afirmou lá a um jornalista: “A Amazônia tem que ser explorada, não abro mão disso. A Amazônia interessa ao mundo todo. — O Brasil tem grande potencial. Temos nossa Amazônia, tem que ser explorada de forma racional, o livre comércio, restabelecer a confiança.”

Como pode um presidente da república dizer isso ao capital internacional, ávido de abocanhar nossas riquezas? Somos cerca de 25 milhões de moradores na região. E vem o presidente da nossa república oferecer às aves de rapina, como quem oferece sua filha adolescente a um prostíbulo. Por isso, já avançam ávidas multinacionais como CARGILL, ALCOA, Paranapanema e outras mineradoras.

Já os políticos se unem à irresponsabilidade presidencial. O senado federal acaba de aprovar mais violência aos trabalhadores e pobres.  O presidente do senado ainda fala com a maior cara de pau lambida, que fizeram o maior esforço para aprovar uma reforma para ajudar os pobres e trabalhadores. Cinismo chegou ali e ficou.

Será que o presidente e seus auxiliares não analisam o que está acontecendo no Equador, no Peru, na Bolívia e no Chile? Será que eles não imaginam que a rebelião no Brasil está para acontecer, tal qual nos países vizinhos, pelo fato de os governantes tratarem os povos como se fossem carneiros? Ou será que eles pensam que os pobres são como cachorro que apanha e volta manso ao seu dono? Os pobres e trabalhadores do Brasil são semelhantes a seus irmãos latino americanos. Que se cuidem os políticos inescrupulosos.

 

 

Justiça do STF e justiça de Deus

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Análise da semana  Nossa Voz é nossa Vida  – 20.10.2019

O Evangelho proclamado hoje em muitas comunidades cristãs faz uma grande advertência a quem comete injustiças na sociedade e também na comunidade religiosa. Quem só pensa nas suas coisas, ou só pensa em se salvar se cuidar dos outros, que se cuide. Jesus coloca na boca de Deus a advertência assim: “Você acha que Deus não fará justiça aos seus escolhidos que clamam por justiça dia e noite?” Quem são os injustiçados na sociedade e os escolhidos de Deus? Quando se sabe pelas pesquisas sobre a desigualdade social no Brasil, que 100 milhões de brasileiros vivem hoje com 14 reais por dia e outros nem isso. Ao mesmo tempo saber que autoridades, políticos e empresários ganhando 30 mil, 50 mil reais por mês, aí está o clamor de que fala Jesus no evangelho. Deus está vendo esses crimes contra os pobres e fará justiça com certeza.

Mas olhando para a semana que passou, temos boas notícias para refletir. Os debates no sínodo para a Amazônia continua rolando lá no Vaticano, já  vai entrar amanhã, na última semana de estudos e debates. Compromissos novos estão sendo decididos para o bem viver na Amazônia. Entre outros assuntos, dois já estão bem acertados. Um, o direito de todas as comunidades cristãs terem direito de ter a santa missa toda semana. Para isso, é necessário escolher um padre casado na comunidade. Um homem bom pai de família, que seja bem aceito pela comunidade e goste de interpretar a Palavra de Deus. Outro assunto assumido lá no Vaticano é que a mulher tenha mais vez nas decisões da Igreja, com ministérios adequados, pois ela não é inferior ao homem, pelo contrário. Aliás, aqui na nossa região as mulheres são muito mais lideranças de comunidades do que homens.

Além do bom andamento do sínodo para a Amazônia, aqui na região houve outros sinais proféticos. Lá na comunidade São Francisco do Arapiuns, 250 jovens realizaram o chamado Dia nacional da Juventude. Dois dias e meio de muita alegria, partilha de estudos, decisões tomadas pelos jovens. Dois temas principais foram estudados, sobre o sínodo para a Amazônia e seu significado para os jovens, e também foi focado o tema de enfrentamento do monstro de dez cabeças que é a ALCOA que insiste em invadir as terras da gleba Lago Grande. No próximo mês vai acontecer  a Romaria do bem Viver na gleba Lago Grande e os jovens do Arapiuns vão participar em grande grupo. É o sínodo já em andamento aqui na região, com a luta em defesa de nossa casa comum e o combate aos invasores de nosso território.

Outro bom sinal profético aconteceu aqui na cidade no seminário Pio décimo. Sexta e sábado cerca de 70 membros de pastorais sociais debateram e decidiram assumir  a defesa da Amazônia nossa Casa Comum. Foi o segundo seminário das pastorais sócias da diocese. Também ali decidiram publicar uma carta de protesto contra a empresa ALCOA que saqueia minérios e deixa pobreza e buracos nas  comunidades.

Os sinais do Reino estão acontecendo

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Análise da semana –  Nossa Voz é Nossa Vida – 27.10.2019

Bom dia ouvinte! Como está sua vida? um dia de descanso, para louvar e agradecer a Deus pela vida, sua, nossa e da mãe natureza tão sofrida com crimes ambientais. Observe a parábola de Jesus, hoje proclamada em celebrações de muitas comunidades. Jesus nos faz pensar qual dos tipos de religião praticamos, se a do Fariseu, ou a do pecador arrependido. O primeiro se achava o tal, pronto pra entrar no céu porque cumpria todas as regras da doutrina; o segundo não escondia pra Deus que tinha uma vida errada, mas buscava o perdão e queria mudar de vida. É uma recado para nós hoje. Afinal, que tipo de cristianismo estamos praticando? O individualista que se sente seguro porque cumpre as doutrinas, sem se preocupar com os outros e com a mãe natureza? Ou o pecador que admite seus erros e quer mudar de vida segundo Jesus?

Com essa reflexão evangélica entramos no que acontece na região nestes dias. É possível que sinais do reino estejam acontecendo aí ao seu redor, consegue identificar?  Percebi bonitos sinais do reino. Desde segunda feira os frades franciscanos estiveram reunidos lá no Emaús, cuidando de revisar sua vida e refletir sobre como fortalecer a presença evangélica em suas comunidades pastorais. Entre orações, revisão de vida e análise da realidade amazônica, planejaram como encarnar os compromissos do sínodo da Amazônia, que encerra hoje no Vaticano. Eram 43 frades da Custódia são Benedito da Amazônia. Seus paroquianos podem indagar deles, como vão avançar no serviço do reino de Deus.

Dois outros acontecimentos me chamaram a atenção nestes dias. Um, a preparação de jovens e adultos para a realização da Romaria do Bem Viver na gleba Lago Grande. Essa romaria vai acontecer em meado do próximo mês. Me impressionou a dedicação de jovens andando de comunidade em comunidade da gleba, convocando os moradores a participarem deste importante ato de resistência à invasão da Alcoa. Este monstro capitalista além de destruir o ambiente e comunidades do município de Juruti, agora quer invadir o território do Lago Grande do Curuai. A Romaria do Bem viver será mais um grito de basta, aqui não permitimos destruição. Parabéns juventude guerreira.

Outro sinal da presença dos jovens na luta do bem viver, está acontecendo hoje em três regiões pastorais. Na sede paroquial de São José do Planalto, jovens da região 6 de pastoral estão celebrando o Dia Nacional da Juventude, DNJ. São Jovens do Mojuí, Belterra, Br. 163 e planalto Curuaúna. Estão debatendo como ser presença profética na defesa da nossa Casa Comum, a Amazônia, começando pelo seu território de vivência.

Neste mesmo horário, estão celebrando o DNJ jovens da região 3 de pastoral, incluindo paróquias de São Francisco do Caranazal, São João Batista, Liberdade e Mapiri. Também estão debatendo como sair do individualismo e agir organizados em defesa de nosso bem viver, hoje ameaçado por projetos de portos, agrotóxicos, poluição de igarapés, lagos do Mapiri e Tapajós. Esta é a juventude que procura engajar-se nos compromissos do sínodo da Amazônia. Também, a região pastoral liderada pelo valente padre Antônio Jorge está hoje celebrando o dia nacional da Juventude centralizados na comunidade Murumuru de Monte Alegre. E ainda acabo de saber que no município de Belterra, aconteceu ontem Jornada missionária pela juventude na comunidade São Jorge, Km 92 da Br. 163.

Assim, com jovens despertando consciência de sua cidadania, é que se pode esperar uma grande mudança nessa Amazônia, que adultos irresponsáveis estão destruindo. Estes jovens são o hoje da história que como diz a cantiga “quem sabe faz a hora não espera acontecer”.

Os Munduruku ensinam o caminho da resistência

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Editorial RNA 15.10.2019

A crise do desmonte da democracia no Brasil está cada vez mais séria. Os governantes, eleitos democraticamente, o que menos fazem é escutar os clamores do povo e da mãe natureza. O que mais fazem é violentar os direitos dos trabalhadores, dos jovens, dos indígenas e da mãe natureza. Quem se opõe é logo mal visto e perseguido. Um exemplo é hoje o Sínodo para a Amazônia, que como convoca a se pensar em ecologia integral, logo é acusado de vila r a soberania nacional. O governo federal se sente no direito de violar a constituição e estimular a invasão de terras indígenas para exploração mineral, como se sente no direito de destruir a reforma da previdência, prejudicando quem tem direito a aposentadoria.

Nesse contexto de desmoralização das leis, na Amazônia vai prevalecendo a lei do mais forte, que se sente livre para incendiar floresta, lançar veneno agrícola a granel e a grilar terras públicas e áreas de proteção ambiental.

Mas tudo tem limite até para a paciência do povo violentado. No Estado do Pará, dois grupos ameaçados em seus direitos começam a se organizar e enfrentar os violadores. Em Jacareacanga, um grupo de indígenas Munduruku acaba de bloquear a rodovia transamazônica naquele município. Exigem respeito às suas terras ameaçadas por garimpos de ouro. Fecharam a rodovia e exigem uma audiência pública, com presença do Ministério Público federal e do prefeito municipal. Se a constituição lhes garante uso exclusivo do seu território, não pode ser rum presidentezinho passageiro, que autorize violação. O bloqueio da rodovia parece sr o único instrumento possível para terem um diálogo civilizado.

Já no município de Gurupá também no Estado do Pará, um conflito violento está acontecendo. É entre os tradicionais plantadores de açaí contra um fazendeiro. Este se sente no direito de destruir os açaizais para plantar capim pra seu gado. Está armada a guerra por direitos e um capanga do fazendeiro já atirou num morador cultivador de açaí. Até agora, nem o IBAMA, nem a Justiça do Pará se envolveram para solucionar o conflito.

Tudo indica que segundo o exemplo dos Munduruku do Tapajós, é que não só em Gurupá, mas em toda a Amazônia ouvidos os pobres e trabalhadores sem país sem democracia.