Análise de conjuntura nacional com foco na Amazônia

Postado em

Capítulo dos Frades Franciscanos – São Benedito – 25.10.2019

 

  • A conjuntura no tempo – com uma estrutura democrática em desmonte, a conjuntura muda quase a cada semana. Mas também há fatores positivos na conjuntura amazônica como o sínodo Para a Amazônia. Daqui a uma semana, quando apresentaremos a análise, provavelmente já haverá outros fatores em andamento.
  • Lembremos que há conjunturas acidentais, como um raio que cai, no entanto a grande maioria das conjunturas é consequência de uma estrutura frágil, como também por fatores humanos, como é o caso da atual conjuntura da nossa Amazônia. Uma casa construída com esteio de embaubeira, facilmente poderá cair”.
  • Na conjuntura destes dias, os fatos mais relevantes para nossa análise são: o desmoronamento da democracia brasileira; o grau de destruição da infraestrutura da Amazônia; impactos na Amazônia e seus povos; a correlação de forças; o sínodo para a Amazônia e as perspectivas para a Igreja e para a ecologia integral.
  • Vamos por partes:
  • O desmoronamento da democracia – O Brasil que há dez anos era a sexta economia mais forte do planeta, hoje está sem rumo. Mesmo tendo uma reserva cambial de cerca de US$ 280 bilhões de dólares, o que lhe garantiria sobreviver à crise do capitalismo internacional, hoje gasta 48% de toda a arrecadação de impostos para pagar juros da dívida pública. Os maiores credores do Brasil são Bancos públicos e privados, que devem ao mesmo tempo, 450 bilhões à Previdência Social.

# com um governo sem responsabilidade social, guiado por um banqueiro medíocre (Paulo Guedes), os dirigentes federais decidem privatizar o patrimônio econômico do país (Embraer, Alcântara, Eletrobrás, Pre Sal, etc).

  • A destruição da Amazônia – De 2003 até 2018 foram 140 mil quilômetros de floresta destruída. Com a entrada da soja na região se intensificou o desmatamento. Além da soja, ampliaram as fazendas (Brasil exporta carne de gado para mais de cem países, além de frango e porco. Ao mesmo tempo acelerou a exploração madeireira e mineral. O rio Tapajós turvo e envenenado por mercúrio é um exemplo. Pra ampliar a destruição chegam as logísticas a serviço da exportação de comodities. Daí o asfaltamento da Br. 163, os 23 portos previstos entre Santarém e Miritituba, a ferrogrão com 940 quilômetros entre Lucas do Rio Verde e Miritituba. Com estímulo do governo Bolsonaro e seus ministros do meio ambiente e da agricultura também irresponsáveis, grileiros e garimpeiros se sentem livres para exigir invasão de terras indígenas. Bolsonaro, bobo da corte dos empresários ironiza dizendo: “índio porra que nada, é o minério que interessa”.
  • Os maiores impactos recaem sobre a natureza e sobre os povos tradicionais. Calculam os pesquisadores que 18% da floresta amazônica já está desmatada. Se continuar nesse ritmo e chegar a 25 % do desmatamento, a Amazônia desequilibra e se torna uma savana sem retorno. Também os moradores da região, hoje em torno de 25 milhões de seres humanos, estamos sendo impactados e não só os indígenas, ribeirinhos e moradores nos entornos das barragens. Todos estamos sofrendo já os impactos negativos da destruição. O envenenamento com agrotóxico nas plantações de soja e nos produtos vegetais importados (tomate, repolho, laranja maçã, etc). Para se ter ideia da gravidade, em pesquisa no Hospital regional em Santarém, foi constatado que só neste oito primeiros meses do ano entram na área de oncologia 1.776 em tratamento. Em média 48 casos de câncer de próstata. Dr. Erick afirma que mesmo não havendo pesquisa científica, desde que entrou a soja na região aumentou o número de pacientes com câncer.
  • A correlação de forças na atual conjuntura – aqui está um gargalo na soberania dos povos da Amazônia e do país todo. Como o governo Bolsonaro, tem tido uma segurança meio oculta para destruir as regras do jogo, vai desfazendo os direitos dos trabalhadores, estudantes, doentes, indígenas, etc; vai entregando o patrimônio nacional (Petrobrás, Embraer, Eletrobrás, Alcântara, etc; ao mesmo tempo vai estimulando a destruição da Amazônia sem escrúpulo. Ao mesmo tempo as resistências da sociedade são ainda muito frágeis. No País, nem as centrais sindicais, nem os partidos de oposição, conseguem criar uma unidade forte para enfrentar os desmonte da democracia. O PT não consegue ser solidário com os outros partidos que buscam uma unidade. De um lado PT se sente no direito de comandar, por ter mais deputados federais eleitos; de outo lado fica muito dependente do Lula da Silva. Este mesmo dentro da prisão, em quem parece dar as cartas do partido. Por exemplo, impôs recentemente o nome da Gleice Hoffmam para presidência do Partido, quando um grupo dentro do partido queria o nome de Haddad. Pelo lado dos Movimentos sociais a resistência é muito pontual (caminhoneiros, indígenas, quilombolas); Aqui mais perto de nós é ainda mais frágil. Temos o STTR, o MTV, o CITA, a Pastoral social. Em Itaituba está havendo mais uma desgraça com a dragagem dos portos das empresas em frente da cidade e até agora, tem uma tentativa de trazer a denúncia para o MPF em Santarém, mas por falta de dinheiro não fizeram ainda.
  • A Participação da Igreja na Conjuntura e a presença do Sínodo Para a Amazônia –
  • Em matéria de compromissos assumidos, a Igreja na Amazônia pode impressionar. Documento 1972 em Santarém “ Cristo aponta para a Amazônia”, Documento de 2012 “Memória e Compromisso”, Documento de Manaus 1997 “ A Igreja se faz carne e arma sua tenda na Amazônia”; Assembleia diocesana de Santarém 2014 – depois de uma pesquisa prévia que constatou entre outras coisas, que a Pastoral concreta nas regiões pastorais não conseguia ligar a fé com a vida real, tirou como prioridades para 2015/2017 Pastoral social focalizando a dimensão social da Evangelização, defesa da vida e dos povos da Amazônia. No entanto, não avançou para a prática. Impressiona o número de dez pastorais sociais, porém são equipes isoladas fazendo seu trabalho sem que as paróquias assumam o mesmo compromisso.
  • Mas agora chegou o Sínodo Para a Amazônia – o que tem de novo e como está sendo cultivado na diocese:
  • Um novo Pentecostes acontece na Igreja de Jesus. Tinha que surgir um profeta no século 21 para que o vento do Espírito venha soprar com força dentro da Igreja, o Sínodo Para e não sobre a Amazônia. Por que Para e não Sobre?
  • Dois objetivos centrais são buscados pelos participantes sinodais: Novos caminhos para a Igreja na Amazônia e para uma ecologia integral. Que significam: Novos caminhos e Ecologia integral? …
  • Alguns pontos em discussão:

** enculturação da Evangelização para a Amazônia;

** Foco nos povos indígenas por quê?

** Padre casado em cada comunidade cristã

** Nossa Casa Comum a teologia da criação (Gênesis 1)

** ???

  • Perspectivas:
  • A nível de Brasil e Amazônia – sombrio, vamos levar uns 20 anos para voltar a ser um país em desenvolvimento e uma democracia mais ou menos madura;
  • Igreja encarnada e evangelizadora na Amazônia, vai depender de uma real conversão da hierarquia (bispos, padres e religiosos/as) para que as decisões do sínodo armem a tenda na Amazônia. Pelas conclusões do sínodo, não se pode garantir que em breve teremos uma nova evangelização na Amazônia, pois depende muito das hierarquias e estas caminham em ritmo de jaboti
  • Na diocese de Santarém esperamos que o Espírito Santo tenha vez na escolha de um novo bispo corajoso, líder natural, profeta e perseverante para nos ajudar a mudar.

** Peimwieo grande desafio do novo bispo será cuidar ntender e

trabalhar uma conversáo de nós Padres. H[a problemas s[erios entre

nós, além de que vários se sentem autónomos demais. Por isso, uma

das qualidades urgentes do novo bispo será a capacidade de

enfrentar esse problema clerical’

** Um outro desafio para o novo bispo será levar adiante as conclusóes

do S[inodo Para a Amazönia aqui na diocese. Ajudar o povo a tornar

a questão social e ambiental como essencial à evangelizacáo.

** Um terceiro desafio urgente ao novo bispo – Salvar a Radio Rural da

falencia primeiro montando um plano de buca de recurso entre os e

as catolicas para cobrir as divdas e segundo reestruturar a direcao

da emissora para torna-la uma FM cristä comprometida com a

cidadania.

 

 

 

 

 

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