Medo da rebelião popular faz governo assustar movimentos sociais

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Análise da semana 01.12.2019 Nossa Voz é Nossa Vida

Meu irmão e minha irmã ouvinte, começa hoje o último mês do ano, que encerra a segunda década do século 21. Você e eu continuamos vivos com a graça de Deus. Na última semana aconteceram coisas interessantes para nossa reflexão, mas também coisa tristes.

Em Brasília, ao mesmo tempo em que o governo Bolsonaro lança mais prejuízos aos trabalhadores, jovens e aposentados, houve algo bom e importante. Num salão da Câmara de deputados, um deputado comprometido com a justiça e defesa do ambiente, convocou vários pesquisadores e militantes populares para um seminário. O tema foi:  Desmatamento e queimadas na Amazônia: tendências, dinâmica e soluções. Foi um dia inteiro de intercâmbio de informações entre o saber dos pesquisadores e o saber dos militantes das lutas dentro da Amazônia.

O oeste do Pará esteve presente por militantes de Xingu e Tapajós. Uma constatação feita por todos é que nossa Amazônia está transformada num armazém dominado pelos extrativistas de minérios, madeira e agro negócio. O governo atual não tem o menor compromisso com os povos tradicionais da nossa região, simplesmente facilita a invasão e o saque das riquezas sem deixar nada de melhoria de qualidade de vida. Basta olhar os ribeirinhos e indígenas do Tapajós, hoje tomado pelos garimpos e os portos graneleiros de empresas de fora.

Uma conclusão do proveitoso seminário foi que só sairemos dessa destruição total se unidos e bem planejados enfrentarmos os destruidores de nossa casa comum. 60 pessoas participaram do seminário, entre eles, apenas três deputados federais e apenas um da Amazônia.

Outro acontecimento que merece compreendermos e tirarmos conclusão, foi a triste novela da prisão dos jovens brigadistas em Alter do Chão. O que foi mesmo que aconteceu? Quais as causas do barulho provocado pela polícia civil de Santarém? E que pode estar por trás do caso?

Bem, o fato foi a prisão de 4 jovens brigadistas voluntários. Foram acusados pelo delegado de plantão, de terem provocado o incêndio nas matas por trás do lago Verde de Alter do Chão. Ao mesmo tempo que policiais prenderam os 4 rapazes, outro pelotão foi ao escritório da organização Projeto Saúde e Alegria, arrancaram e levaram documentos e computadores. Um deputado federal do Pará, arrogante e desinformado publicou pela rede social acusação de que os rapazes seriam terroristas que teriam provocado as queimadas. Mas não apresentou provas, Apenas uma verborreia de deputado inútil.

Curiosamente 48 horas, depois que o delegado colocou os brigadistas nas mãos do juiz, a papelada acusatória e depois  do juiz ter enviado os prisioneiros para presídio do Cucurunã, o mesmo juiz voltou atrás e mandou libertar os rapazes.

A essa altura ficou uma pergunta aos dois acusadores: A polícia foi ingênua no caso? Desde quando a polícia é ingênua? E o juiz que mandou jogar os rapazes no presídio, em seguida mandou soltá-los, será que ele se arrependeu? Cometeu um pequeno engano? Se foi ingenuidade, como ele descobriu o erro em tão pouco tempo, 24 horas?  Vários meios de comunicação da cidade, inclusive a Rádio Rural se apressaram em fazer cobertura imediatamente após a prisão e acusação do delegado. Passaram a ideia da polícia, de que os rapazes eram criminosos e que teriam confessado a autoria do incêndio da área da APA Alter do Chão.

Agora, o Ministério Público Federal entrou no caso e exigiu da polícia toda a documentação levantada. O procurador não identificou nenhum motivo que justificasse a prisão dos brigadistas voluntários. Mas suspeita que grileiros interessados nas terras próximas do lago Verde de Alter, tenha provocado o incêndio criminoso.  Surpreende que a polícia investigativa não tenha encontrado ainda os verdadeiros criminosos. Não fosse a iniciativa do MPF em analisar melhor as investigações policiais e exigido revisão do juiz, e não fosse a pressão de solidariedade de mais de 30 entidades regionais e nacionais, certamente que os rapazes brigadistas continuariam tidos como ladrões e provocadores de incêndios.  Moral dessa estória, nunca embarque na primeira canoa das informações.

Neste caso específico faço a seguinte interpretação: o governo Bolsonaro está nervoso. Tem tirado tantos direitos de trabalhadores, estudantes e idosos, Não consegue melhorar a ida de 14 milhões de desempregados e aí, teme que o exemplo das rebeliões populares do Chile, Colômbia e Equador estimulem a rebelião brasileira que está para estourar. Daí o governo parte para a violência, amedrontar os movimentos sociais, ameaçar os petroleiros em greve e justificar polícia matar em serviço e não ser condenada.

 

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