Autor: Padre Edilberto Sena

Qual é nossa identidade, como amazônida? como cristão? como o quê?

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Análise da semana – Nossa Voz é Nossa Vida 19.01.2020

Hoje o evangelho proclamado em muitas comunidades trata da identidade de Jesus o Galileu. O evangelista João, 70 anos depois da ressurreição do mestre, reflete com seus paroquianos sobre quem é seu mestre. Jesus em vida não se identificava como Deus, mas como filho de Deus. Essa clareza de consciência ele foi adquirindo pouco a pouco. Com seus discípulos sempre se identificava como Filho daquele que chamava de pai, ABA. Essa relação ensinava a eles quando lhes orientava. Ao rezarem digam – Pai nosso, seja feita vossa vontade. Portanto, esse é um desafio para nós hoje, nossa identidade cristã. Temos certeza de sermos filhos do Pai, como Jesus tinha? Sim, se fazemos sua vontade, como Jesus fazia, ao curar cegos, cuidar dos sofridos, contestar a religião hipócrita dos líderes judeus. De que forma os outros nos identificam como cristãos? Só pela devoção e leitura da Bíblia?

Papa Francisco tem sua identidade revelada pela forma como enfrenta as questões da vida e das lutas do povo. Ao convocar o sínodo da Amazônia, por exemplo, ele quer fazer a vontade de Deus, nos convocando também a libertar os povos da Pan Amazônia de tantas violações de direitos. O Sínodo que aconteceu em outubro passado em Rom,  foi um exemplo. Chamou primeiro as comunidades católicas dos nove países da pan Amazônia para dizerem como vivem, de que sofrem e quais suas esperanças. Esse material foi estudado em três semanas por 180 bispos e mais outros convidados. Dali surgiu um livreto documento, com os compromissos assumidos a construir novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral. Entregaram ao Papa que agora, está escrevendo uma exortação assumindo as decisões do sínodo. Assim, para todos nós levarmos a sério uma forma de evangelizar, assumindo as lutas populares, a defesa da mãe natureza, protegendo a Amazônia e construindo solidariedade nas comunidades e na sociedade toda.

Escutemos um caso real que tem a ver com ecologia integral. Na semana passada, encontrei uma pessoa pobre, pedindo ajuda por estar desempregada e o marido trabalhar no sítio. Me contou que mora numa casa ali do bairro Minha Casa Minha Vida. Perguntei quanto ela pagava de prestação. Ela disse que não paga porque mora empestado. A casa pertence a uma outra pessoa que tem casa num bairro central. Então ela contou que já tentou solicitar a posse da casa, a pessoa disse que não podia fazer isso, pois ela ganhou a casa no início da distribuição, mas que deixava ela morar lá de graça, emprestado. Aqui está uma injustiça social e moral, que atinge a ecologia social. Se o programa foi criado para dar moradia a quem não tem, como uma pessoa pode ocupar uma casa já tendo outra? Isto é um crime ecológico.

Este caso se assemelha ao dos vereadores de Santarém. Eles fazem justiça só para si. Aumentaram seus salários sem perguntar a seus eleitores se era justo. Não gostaram quando dois jornalistas denunciaram a mamata pelo rádio. Mas diga, foi justo eles defenderem causa própria? E contando de 1 a 10 quanto você avalia cada um dele?  Mas se prepare, daqui a uns meses a maioria estará pedindo seu e meu voto. Querem continuar no cargo. Você acha justo eleger vereador novamente, quem pouco ou nada fez pelo bem da população?

Está na hora de renovarmos totalmente a Câmara de vereadores e prefeitura, não acha? Então tá, pense na frente.

 

105 milhões vivem com R$415 reais/mês por que muitos ainda apoiam o carrasco?

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Editorial RNA 14.01.2020

Está muito difícil entender como ainda tem gente apoiando o atual governo federal. Menos difícil entender como deputados e senadores apoiam um governo que prejudica seus eleitores. Estes, a gente sabe que são oportunistas e só defendem seus interesses, por isso se vendem ao governo e apoiam decretos e Medidas provisórias que massacram trabalhadores e pobres. Até governadores, prefeitos e vereadores dos Estados da Amazônia são assim, procuram os e as eleitoras antes das eleições e depois fazem o jogo do governo federal.

Mas não dá para entender boa parte dos prejudicados ainda serem bolsonaristas, mesmo sabendo que faltam medicamentos nos postos de saúde, faltam médicos de família, como antes, sobe os preços da carne, do gás e do feijão. Como pode um lascado desempregado ainda defender um governo que provoca o desemprego? Hoje são 13 milhões e meio de trabalhadores sem um posto de trabalhado, passando o pão que o diabo amassou.  Veja este outro crime do atual governo: Durante o ano que passou, Bolsonaro excluiu do programa Bolsa Família um milhão de chefes de família. Isso aconteceu quando a economia do país caiu mais por erro do próprio governo e seus ministro Paulo Guedes. Ainda tem mais esse tempero: famílias são divididas entre as que vivem na extrema pobreza, são as com renda até 89 reais por pessoa e as que vivem na pobreza, com renda de até 178 reais por pessoa.

Aumenta o preço da carne, do gás e outras mercadorias e diminui o poder de compra de quem vive na pobreza. Calculam os estudiosos que 105 milhões de brasileiros vivem com renda de apenas 415 reais por mês. Por isso a pergunta inicial: como pode tantos desses ainda aplaudirem o atual governo? Será o prazer de sofrer e passar mal? Outra coisa, como explicar o silêncio de governadores, prefeitos e vereadores dos Estados da Amazônia, diante do sofrimento de seus eleitores e a destruição da nossa região? Qual deles já defendeu os direitos dos moradores da Amazônia concretamente? Quem se conforma não tem pena de seus filhos.

Minérios vão, empresas lucram e nós oh!

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NOTÍCIA PARA Riomar – 13.01.2020

Boa tarde Gecilene e boa tarde você ouvinte da emissora comprometida com nossa Casa Comum. Pergunto a você – explorar minérios no sub solo do Estado do Amazonas é uma bênção, ou maldição para maioria dos moradores de Manaus e do Estado? Se você disser que nem um nem outro, desconfio que anda desligada/o da vida fora de sua casa. Vamos analisar um caso: a Petrobrás há anos explora petróleo em subsolo amazonense, lá em Urucu. Hoje saem de lá toneladas de petróleo. Maior parte é refinado em Manaus e abastece a capital e os estados da Amazônia. O preço dos combustíveis é tão caro quanto nos estados do nordeste. Quem melhora de vida com os recursos gerados pelo petróleo de Urucu? Melhorou o serviço de água limpa na zona leste de Manaus? Acabou com o desemprego em Coari?

Que se saiba, dos recursos gerados pela extração do petróleo de Urucu, sai um imposto chamado CFEM, parte vai para o Estado, parte vai para o município. Você sabe como é utilizado esse recurso? Lá em Coari e Tefé o pessoal sabe como é usado pelos prefeitos o imposto do petróleo? Com certeza que os acionistas da Petrobrás faturam um boa grana com essa riqueza de nossa Amazônia. Interessa a você saber disso? Se interessa ou não, o certo é que nossas riquezas estão evaporando e nosso povo fica com os prejuízos.

Vejamos um outro caso também do Amazonas e que deveria interessar a nós todos. Ali do outro lado, no rio madeira está o município de Autazes com 37 mil habitantes, sendo 14 mil indígenas da etnia MURA. Lá existe uma rica mina de potássio, minério precioso. Adivinhe quem vai ganhar muito lucro com a exploração de potássio de Autazes?  isso mesmo a empresa Potássio do Brasil, que deve ter escritório aí em Manaus. Seu diretor declara orgulhoso que a empresa vai gastar cerca de 10 bilhões de reais nas instalações da exploração. Imagine o lucro que vai render. Sabe o que declarou o cacique Raimundo Mendonsa da etnia Mura, do município de Autazes? “nosso município  ficou conhecido como a menina dos olhos do governo, mas não é por causa da população indígena, mas pelo minério que querem levar embora. Para nós, vai ficar apenas os prejuízos e os políticos não estão do nosso lado”, disse o cacique Raimundo. Então, ouvinte esclarecido/a, até quando vamos ficar de braços cruzados olhando e fingindo não reagir? Até quando seremos roubados pelas autoridades e pelas empresas?

Eleições municipais termômetro para 2022

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 Análise da semana-Nossa Voz é Nossa Vida 12.01.2020

Então, o conflito entre Gringo e Irã teria alguma coisa a ver conosco aqui na região? Certamente que sim, pois o preço dos combustíveis iriam subir, e aliás já subiu preço do feijão, do gás e outros produtos. É verdade que a grave situação da carestia no Brasil já vem prejudicando os pobres antes mesmo do conflito no Oriente Médio. Com o governo que infelizmente temos, nem precisa haver guerra no mundo para sofrermos como sofremos. Desde que Bolsonaro assumiu, trabalhadores, estudantes, indígenas e pobres em geral, tem amargado castigos.

A gente se pergunta, como foi possível 50 milhões de eleitores elegerem esse homem presidente da república? E olhe que maioria era de gente pobre. E mais preocupante, agora um ano de mandato com todas as desgraças empurradas sobre as costas dos pobres, como explicar que ainda tenha tantas pessoas achando que ele está fazendo um bom governo, que estaria ajudando os trabalhadores, estudantes e pobres? Como alguém pode se iludir de que o governo vai melhorar a vida da gente? Vamos conferir alguns sinais:

– Antes os moradores de comunidades distantes e sem assistência médica passaram a receber atendimento dos médicos cubanos. Quem recebeu consulta do programa Mais médicos lá em Tabocal, Curuai, Belterra e tantas comunidades, sabe como foram bem tratados.  Logo que o atual presidente assumiu o cargo, expulsou os 8.500 médicos cubanos. Até agora não substituiu o programa, só tem um faz de conta que vai contratar, mas nada de concreto.

– O Serviço Único de Saúde, SUS foi uma bênção para os pobres e classe média. Quanta gente se beneficiou em suas necessidades de saúde. O atual Ministro da saúde, já preparando para acabar com o SUS deu a seguinte declaração outro dia: “O SUS é ruim e só dá prejuízo”.  Você que o diga, o SUS sempre foi ruim? Ou será ruim sem o SUS? Lei de aposentadoria hoje nem se fala, adeus esperança de muita gente. Isso é o governo federal.

Mas olhemos nossos representantes locais, prefeitos e vereadores. O jornalista Luiz Nassif fez uma análise da situação política atual e afirmou que as eleições municipais deste ano, serão um termômetro eleitoral para a campanha de 2020, para senadores, deputados e presidente da república. Segundo ele, quer dizer que os vereadores e prefeitos eleitos neste ano, se forem simpatizantes do governo Bolsonaro, farão campanha para seus candidatos, gente que não apoia necessidades dos trabalhadores, estudantes e pobres. Já os vereadores e prefeitos que tiverem coragem de denunciar e ser contra as políticas do atual governo, esses apoiarão candidatos de oposição.

Sendo assim, nós eleitores/as que opções teremos quando centenas de candidatos chegarem na campanha buscando nossos votos? Creio que não podemos ser mais escada para oportunistas. Eis algumas pistas para nossas escolhas: a. os atuais vereadores de meu município, quais deles se empenharam para trazer o programa mais médicos para nossa comunidade? b. Quais foram contra a terceirização da gestão do hospital municipal? Quais lutaram contra a construção do porto da Embraps? No caso de Santarém, o prefeito e vereadores mudaram compromissos da atualização do plano diretor do município. Com isso desrespeitaram decisão democrática da conferência municipal sobre o novo plano diretor. Portanto, nenhum deles merece nossa confiança e portanto, não podem mais ser eleitos por nós cidadãos conscientes.  

E assim por diante, em cada município de nossa região precisamos renovar totalmente câmara e prefeitura com novos políticos. Ou isso, ou vamos passar mais quatro anos sendo trouxas dos políticos, reclamando sem solução.

                                                                                                                              

 

Estamos todos interligados também no conflito USA x IRÃ

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Notícia para Riomar  –  06.01.2020

BOA TARDE Gecilene e você ouvinte, como está a chuva aí? Aqui em Santarém não choveu hoje, mas o clima é muito agradável beirando 26 graus, imagine isso aqui em nossa Amazônia. O clima no mundo, porém, não está nada bom. Com o assassinato perverso do general do Irã ordenado pelo louco gringo Trump, a situação internacional engrossou. Uma nova guerra pode acontecer daqui a pouco. Então lhe pergunto, o que tem a ver o conflito deles lá no Oriente Médio e a vida dos moradores de Manaus e vizinhança?  Será que aquilo pode atingir nossas vidas aqui na Amazônia? Já pensou nisso? Há um dito afirmando que tudo neste mundo está interligado, se assim é, então o que acontece por lá deve ter efeito entre nós. E já está para acontecer.

O próprio servo do Trump, ainda presidente do Brasil acaba de dizer que os preços dos combustíveis poderão subir, por conta da crise de lá. Para piorar nossa situação, mesmo contra a vontade dos militares brasileiros, Bolsonaro declarou apoio ao perverso Trump nesse assassinato do general iraniano. Ora, o Irã é grande parceiro do Brasil nos negócios, um dos grandes compradores de soja e carne de gado. Imagine, o governo do Irã, vendo a declaração escrava de Bolsonaro, apoiando o inimigo deles poderá deixar de comprar produtos brasileiros. Isso, só vai aumentar o desemprego e a crise econômica no Brasil e em tabela, em Manaus e todos nós. Só lembrando que hoje são 13 milhões de trabalhadores desempregados no país e Manaus deve ser um exemplo. Isso pode piorar.

Portanto, não podemos ficar indiferentes ao que está acontecendo no mundo. Os iranianos certamente vão retaliar de uma forma ou outra,  o Trump e seus aliados. Se um drone com arma não está previsto para Manaus, porém outro tipo de bomba pode estar chegando se a guerra deles continuar. Se nada podemos fazer, além de pedir ajuda de Deus, precisamos estar atentos aos acontecimentos e bem informados. Uma coisa é certa, o presidente brasileiro não se preocupa conosco, ele é um amigo dos nossos inimigos. Mantenhamos nossa união aqui.

Belo Monstro, morte x Belo Tapajós, vida

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Análise da semana – Nossa Voz é Nossa Vida – 5.01.2020

Lá se foi a primeira semana do novo ano. Todos desejamos tempos positivos e esperanças renovadas.  No entanto, o mundo corre perigo de mais uma guerra de grande destruição. Tudo porque um presidente psicopata, se julgando dono do mundo acaba de assassinar um general do muçulmano país chamado Irã. Sem ver nem pra quê, o grotesco Trump mandou matar um alto funcionário do país que ele considera inimigo. Na arrogante opinião dele, dane-se que achar ruim. O líder do Irã já mandou aviso, são três dias de luto por seu herói assassinado e depois virá a vingança. De que forma? Só Alá sabe.

Mas em nossa região, temos uma boa notícia cheia de esperança. No próximo dia 2 de fevereiro tomará posse do cargo o primeiro arcebispo da arquidiocese de Santarém. Poucas pessoas conhecem o homem, mas tendo sido escolhido pelo Papa Francisco, se espera que seja um bom líder da Igreja, um profeta corajoso a fim de por em prática as decisões do sínodo para a Amazônia. Ele terá que enfrentar com urgência a situação da Rádio Rural, tão importante instrumento de educação libertadora, mas hoje com muita dificuldade. Dois acontecimentos recentes merecem nossa avaliação. Um é o desastre sem retorno da hidroelétrica de Belo Monte no Xingu. Você sabia por acaso que a hidroelétrica é um desastre econômico, social e ambiental? Foram 40 bilhões de reais para construir uma usina que não produzirá a energia prevista de 11 mil megavats de eletricidade. Isto porque a seca do rio Xingu no verão é profunda e não haverá água suficiente para mover as 18 turbinas. Esta é uma herança maldita deixada pelo governo Lula da Silva. Mesmo avisado pelos pesquisadores, pelos indígenas e pelo bispo Erwin Krautler, Lula preferiu acreditar nos seus auxiliares.  Hidroelétrica de Belo Monte é um alerta para todos moradores da região do Oeste do Pará. Caso o governo atual insista em destruir o rio Tapajós para construir usina de São Luiz e mais seis outras, os desastres serão semelhantes ou piores do que Belo Monte. Vamos nós aceitar tais destruições? E você ouvinte que mora em Mojuí, Belterra, Alenquer, ou Monte Alegre, pensa eu tal desastre não atingira você? Não se iluda. Nós unidos somos o braço de Deus. E você morador de Fordlandia ou do rio Cupari, vai aceitar calado as PCHs previstas para o Cupari? Unidos somos a luta de Deus.

O outro acontecimento a merecer nossa reflexão é sobre o novo salário mínimo decretado pelo irresponsável presidente Bolsonaro. Já ouviu a grosseria dele? O reajuste do mínimo passou de 998 reais para um mil e 39 centavos. Enquanto os combustíveis subiram bastante e com isso sobem s preços do arroz, feijão e outras necessidades, ele que ganha 9 mil reais e come a custa do cargo de presidente, sem a menor vergonha declara essa mixaria de salário mínimo. Com tal comportamento que despreza os trabalhadores e os pobres, será que ainda tem gente que apoia o traste? Se tem, ou é empresário oportunista, ou é pobre conformista. Qual é seu caso?

Bem, se eu fosse você, iria ficar atento para escolher candidato a vereador e a prefeito, pessoas que sejam honestas, competentes e que já deram prova de defender diretos dos trabalhadores e de sua comunidade. Acima de tudo que não seja ou tenha sido vereador ou prefeito. Está na hora de em outubro próximo afastar todos os políticos que hoje estão nos cargos, e renovar totalmente tanto a Câmara do município como o prefeito. Que acha disso?

Fim de ano…em qual calendário?

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Análise da semana Nossa Voz é Nossa Vida 29.12.2019

O tempo em si não usa calendário, nós humanos sim. Ainda que, os calendários humanos variam de numeração. Os indígenas marcam o tempo pelo girar da lua cheia, o calendário dos chineses é um, o dos indianos é outro e mesmo o nosso já foi diferente de hoje.

Atualmente em nosso calendário, o tempo marca fim de ano. Durante os dose últimos meses houve coisas ruins como, Aumento de pobreza extrema no país, com um desgoverno perverso, que em vez de atender as necessidades dos trabalhadores, dos estudantes e dos indígenas, só atende interesses dos Bancos, agronegócio e militares. Por conta desse desastre social e político, são hoje 13 milhões de trabalhadores sem emprego e empresas nacionais entregues ao capital privado. Outra desgraças são bilhões de reais jogados fora com a construção da hidroelétrica de Belo Monte, hoje sem funcionar durante cinco meses; também o rio Tapajós degradado com lama e mercúrio dos garimpos.

Mas também aconteceram coisas importantes e cheias de esperança. Três delas expomos aqui para nos confortar. Na América do Sul foram as rebeliões populares no Equador, Colômbia e Chile. Mesmo sendo assassinados vários lutadores, o povo unido força os governantes perversos a mudarem a política destruidora do povo. Continuam cantando “Pueblo unido jamas será vencido”. Exemplos que devem estimular a sociedade civil brasileira.

Outro sinal de esperança aconteceu em novembro. A Justiça federal deu ganho de causa aos lutadores da gleba Lago Grande e sua organização Feagle. Trata-se de ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal em face de Alcoa e Matapu Sociedade de Mineração Ltda, sobre suposta ação das rés no Projeto de Assentamento Agroextrativista Lago Grande. Tais ações provocaram impactos socioambientais, sem licença válida para tanto e sem consulta prévia, livre e informada às comunidades tradicionais que habitam a região. O juiz condenou as rés a não ingressarem na área do Projeto de Assentamento Agroextrativista do Lago Grande, sem que antes tenha sido realizada a consulta prévia, livre e informada às comunidades, nos moldes da Convenção 169 da OIT, e concedida licença ou autorização minerária pelo órgão competente. Valeu a luta de um povo unido, inclusive com a romaria do Bem Viver, promovida recentemente pela Pastoral da Juventude a região.

Outro grande sinal de esperança ocorreu na semana passada. Dessa vez foi a ação corajosa de 70 indígenas Munduruku, que entraram no museu de história natural em Alta Floresta, Mato Grosso. Resgataram 12 urnas funerárias  roubadas pelas construtoras da hidroelétrica de São Manuel no rio Teles Pires. Elas estavam na cachoeira lugar sagrado dos indígenas. Sem mínimo de respeito aos povos indígenas, foram evadas para o museu em Alta Floresta. No dia do aniversário de Jesus, os corajosos Munduruku retiraram as urnas e levaram para suas terras. Mais um sinal de esperança e de bendita rebeldia. Assim se pode esperar um novo ano bem melhor do que se vai. Certamente que outros sinais de esperança devem ter ocorrido em sua comunidade. Por isso, bem vindo e feliz ano novo em nosso calendário.