Autor: Padre Edilberto Sena

Maria mulher espelho para nós

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Análise da semana Nossa Voz é Nossa Vida  – 18.08.2019

Hoje os cristãos celebram uma pessoa que foi feliz por aprender a dialogar com Deus, enfrentar a sociedade e seguir o projeto divino. Maria mãe de Jesus. Por tudo isso que ela foi é venerada como tendo sido elevada ao céu em corpo e espírito, igual seu filho. Com uma diferença, ele subiu por si, ela foi levada, segundo a tradição cristã. Vale a pena trazer esta memória ao avaliarmos a semana que passou. Ela deixou alguns rastros que merecem nossa reflexão.

Um primeiro rastro é mais um crime cometido pelo presidente da república contra os trabalhadores. Lançou uma medida provisória 881 aprovada pela Câmara federal. Ela tira o descanso e mais um pouco da renda do trabalhador. Agora, domingos e feriados, serão trabalhados sem remuneração extra. Só depende do empregador. Ângelo Farias da Costa,  presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho   critica esse crime assim:  “A Constituição fala que tem que haver um repouso semanal remunerado preferencialmente aos domingos, que é um dia de convivência familiar, com amigos, enfim, um dia para lazer. Claro que ele pode ser utilizado pelo trabalho, não é uma rigidez. Mas o que esse projeto faz é liberar totalmente o trabalho aos domingos e feriados sem qualquer tipo de contrapartida para o trabalhador, sem qualquer tipo de pagamento”. Pergunta se, até quando as organizações de trabalhadores e famílias vão suportar conformados esses crimes continuados do governo federal?

Aqui no município de Santarém acontece outro crime contra a sociedade, especialmente moradores dos bairros periféricos e zona rural. Trata-se do saneamento básico que por lei federal deveria já estar concluído. Inclui água, esgotos, lixo e água servida.

Quem anda no centro da  cidade observa dezenas de rompimentos do asfalto das ruas, que foram abertas para o tal sistema de esgotos. Primeiro crime foi na quebra do asfalto que já não era bom, depois de ligar os esgotos das ruas, não recuperaram o asfalto, daí o tabuleiro de picolé. E para agravar, segundo o sindicato dos urbanitários, a tubulação não chegou ao seu destino, portanto não está funcionando. Corre boato de alguns moradores do centro da cidade fizeram a ligação de suas casas para o esgoto da rua, mas não há  saída final.

Dentro ainda do plano de saneamento básico,  a prefeitura já até contratou uma empresa para gerir os micro sistemas de água. Fez isso sem uma negociação com as dezenas de micro sistemas  na cidade, no planalto e até no Lago Grande do Curuai. Acontece que várias organizações de usuários de micro sistemas não aceitam privatização, com razão e garantem manter seus micro sistemas com segurança e não dependem da prefeitura. A gestão municipal se assemelha à gestão do presidente da república, sem rumo, sem diálogo com a sociedade, uma ditadurazinha grotesca. A empresa  contratada Nova Com está suspensa pelo Tribunal de contas dos municípios por irregularidade da prefeitura.

Mas como a vida é entremeada de tristezas e alegrias, na semana passada houve  sinais positivos. Um deles foi as manifestações populares em 220 cidades brasileiras em defesa das universidades e da educação. O governo federal sabe que pouco a pouco, a sociedade civil está se inquietando e quer pressionar os políticos a respeitarem a Constituição. Inclusive em Santarém houve manifestação pelas ruas e praça. Não eram muitos os participantes, o que revela muita alienação de estudantes ameaçados de perderem a gratuidade da universidade. São mais de 10 mil universitários e 30 mil secundaristas, apenas cerca de 200 compareceram à manifestação.

Por outro lado, em outro sinal positivo da semana, milhares de mulheres indígenas e não indígenas, deram seu grito de basta lá em Brasília. Direitos constitucionais não se pode jogar fora simplesmente, foi o que disseram em alto e bom som as mulheres  brasileiras ao presidente da república em frente ao palácio do Planalto.

 

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Como santareno analisa a realidade conjuntural

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Análise de conjuntura político social e os impactos na Amazônia

Pe. Edilberto Sena para os Francisanos da Custódia São Benedito do Tapajós

15 de agosto 2019

  1. Brasil, que sonhou ser um país interdependente com seus vizinhos e seus parceiros do “sul do Mundo”. Chegou até fazer parte dos BRICS (Sociedade entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), hoje marcha acelerado a uma regressão ao início do século XX. Por trás do desastre do governo Bolsonaro, há causas mais profundas, que só agravam pela ausência de um projeto de Nação.
  2. O capitalismo neoliberal vive uma crise, que pode ser terminal para sua existência. É verdade que sempre houve crises no sistema, mas esta mais recente a partir de 2008, é mais profunda. Brasil, país periférico, sofre os impactos com mais violência, a exemplo de outros, como Argentina e Venezuela. O capital produtivo chega hoje a cerca de 90 trilhões de dólares (tudo o que o mundo produz e negocia). Enquanto isso, o capital financeiro (aquele das bolsas de valores  e dívidas dos países), chega hoje a 270 trilhões de dólares. Isto quer dizer que o dinheiro virtual manuseado pelas bolsas de valores e credores, é   três vezes mais  do que o produzido e negociado. Esse desequilíbrio cria uma instabilidade entre os países e os negociantes. Imagine se o Bradesco, ou Itaú resolvesse exigir que o Banco Central devolvesse em espécie, toda a dívida do país om o Banco. A dívida pública do Brasil chega hoje a 4,5 trilhões de reais. Desse montante, 2/3 é dívida interna (aos bancos e empresas credoras). No ano passado 48% de toda a arrecadação de impostos no país, foi para pagar juros da dívida pública.

Isso explica em parte, porque o governo facilita a disseminação de agrotóxicos no agronegócio, permite entrada de mineradores  e outros nas terras indígenas, como explica a  destruição das leis trabalhistas e a deforma da previdência social. Tudo para atender interesses dos empresários e aumentar a produção para cobrir os compromissos com a dívida pública. Eis por que a Amazônia hoje é a região mais requisitada, invadia e destruída, pois ela é o celeiro pronto a salvar a economia de  um país agroextrativista.

  1. O Brasil bolsonarista, segundo alguns analistas sérios, é um país periférico, útil a salvar o sistema neoliberal em crise. A eleição de Bolsonaro foi forjada pela tecnologia das notícias falsas, junto com um governo fraco da Dilma Roussef, um anti petismo tratado como bode expiatório e uma população despolitizada. O presidente atual pode ter sido uma escolha errada do empresariado interessado em mudar a política distributiva do lulismo e que não se sabe se ainda vão aturá-lo. Bolsonaro parece palhaço mas não é, parece bobalhão, mas não é. Não é inteligente para o cargo que assume, mas é o bobo da corte. Ele faz sua pantomina, sabendo que faz isso para manter a sociedade distraída, rindo ou com raiva. Enquanto isso, o ministro da economia executa o plano de privatizar as empresas estatais, negociar as reformas, controlar a inflação. Mas como ele não tem noção do que implica administra um país, a economia vai sendo desmantelada. Agora mesmo ele decide vender parte das reservas cambiais construídas pelos governos Lula e Dilma. Faz isso porque seu plano econômico não está dando certo e a economia está caindo. Não se sabe até quando o governo vai Os militares que deram garantia ao governo, parecem divididos, mas poderão dar um golpe e entregar a presidência ao atual vice, General Mourão.
  2. Como essa crise atinge fortemente os povos tradicionais e a natureza da Amazônia? Toda a segurança do bem viver é prejudicada. Para manter o “programa” acima, o governo Bolsonaro coloca pessoas completamente incompetentes em vários ministérios, como Meio Ambiente, integração regional, educação. Segue o desmanche da segurança esvaziando INCRA, IBAMA, FUNAI. Ao mesmo tempo, autoriza uso intensivo de venenos agrícolas (220 agrotóxicos foram aprovados pela ANVISA nos últimos sete meses)  para aumentar a produção do agro negócio.   Permite a entrada de garimpeiros e exploração madeireira em terras indígenas, modifica o acesso às terras públicas.

Para exemplo, só aqui nos municípios de Belterra, Mojui e Santarém são 70 mil hectares de terra plantada com soja e milho sustentados por agrotóxicos. Ao mesmo tempo, neste ano, no hospital regional entraram 1.776 pacientes com câncer. Já no ano passado tiveram procedimentos na oncologia 18.575 casos.  Isso indica que o avanço do agronegócio só destrói os povos e a natureza da Amazônia, sem que a vida melhore.

  1. Por fim, quais as perspectivas de mudança desta realidade nacional e regional? Está difícil uma previsão. As forças de resistência estão muito frágeis. Movimentos populares, sindicatos, igreja não indicam sinais de resistência. Incrível que na recente manifestação em defesa da educação, quando houve grandes concentrações em 220 cidades do país, em Santarém estiveram na praça apenas cerca de 150 participantes e padres, apenas dois, mesmo tendo sido convidados expressamente. Por isso, sem ser pessimista, fica a impressão que ainda vamos sofrer vários anos até que surja uma resistência consistente. Eis um desafio para os franciscanos e para padres diocesanos, como pastores do povo.

Ecologia integral inclui energia solar na Amazônia

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Análise Da semana Nossa Voz é Nossa Vida  –  04.09.2019

Prezado e prezada ouvinte, como está você? Como passou a semana? Quaisquer que tenham sido seus momentos difíceis e os momentos legais, saiba que Jesus garante que acompanhou você silenciosamente. Não o culpe se algo andou errado. Por exemplo, não culpemos Jesus porque a situação do povo brasileiro está indo de mal a pior, com os governantes só favorecendo os ricos e prejudicando trabalhadores, estudantes e os pobres. Deus não mandou elegerem os malditos que hoje fazem leis e decretos que destroem a natureza amazônica, geram desemprego, tiram direitos de jovens frequentarem universidade pública.  Veja o caso recente daquela tal ministra da cidadania, que diante da grave crise de violência sexual a crianças e adolescentes no Marajó, em vez de exigir prisão dos violadores, apenas sugere que se traga uma fábrica de calcinhas para vestir as crianças do Marajó. Pode ela ser uma boa ministra? E o caso do tal ministro da educação, veio tirar férias em Alter do Chão, depois de seis meses de serviço. Levou críticas  e repúdio da juventude borari e se saiu como vítima de vândalos. Logo ele que faz vandalismo ao tirar recursos das universidades, apoia a retirada de sociologia e filosofia do ensino médio, ainda espera aplausos da juventude? Quem depois se humilhou   pedindo desculpa ao ministro, ou é rico, ou alienado.

Mas vamos analisar coisas boas que aconteceram na região nestes dias. Durante a semana, recebi um livrinho que você precisa também conhecer. Trata-se do instrumento de trabalho, que os bispos e demais participantes do sínodo para a Amazônia utilizarão em outubro lá no Vaticano. Esse livrinho é o resultado dos questionários respondidos por mais de 10 mil cristãos dos nove países da Pan Amazônia. Diz assim: “Desta maneira, a escuta dos povos e da terra por parte de uma Igreja chamada  a ser cada vez mais sinodal, começa entrando em contato com a realidade constante de uma Amazônia repleta de vida e sabedoria”. Você deveria conhecer  o que os membros do sínodo debaterão em outubro no Vaticano. Procure na livraria católica ali atrás da catedral, ou peça de seu vigário para ele mandar buscar em Brasília, na CNBB. Sínodo para a Amazônia será um novo caminho para Igreja e para a ecologia integral. Não podemos ficar alheios e alienados. Também sugiro que você leve esse assunto para reflexão e compreensão nos encontros da CEB, Grupo de Oração, terço dos homens e outros momentos de comunidade.

Uma outra coisa importante aconteceu na semana, foi um treinamento ocorrido sexta e ontem, sobre uso da energia solar em residências, bombeamento de água de poço artesiano e locais comunitários. O Movimento Tapajós Vivo, leva adiante um projeto de uso da energia solar como alternativa às hidroelétricas destrutivas. Então, veio um especialista em energia elétrica da Paraíba facilitar um treinamento para 15 membros de comunidades rurais e urbanas dos município de Belterra e Santarém. Até ontem eles e elas aprenderam a captar a energia solar para fins comunitários, inclusive a confecção de lâmpadas LED popular. São gente simples fazendo coisas simples, que fazem a diferença na sociedade. Hoje há pessoas na região utilizando  energia elétrica do sol em casa , para geladeira, ventilador e lâmpadas.  Vamos impedir construção de hidroelétricas, que prejudicam pessoas, rios e a natureza.

Você também pode começar a pensar em ter energia elétrica do sol em sua casa. Como diz o ditado, querer já é poder e quem não arrisca não petisca. Vamos lá, coragem,  a vida pode ser diferente.

Quem fala a verdade o governo, ou o povo Wajãpi?

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Notícia para Red Pan amazônica  – 31.07.2019

Triste país em que seus governantes ignoram os povos tradicionais. Isso desde a invasão dos europeus em 1.500. Hoje no Brasil, a situação está mais grave , com um governo totalmente  submisso ao capital extrativista tanto o nacional como o  norte americano. O mais recente caso desse racismo  estatal aconteceu semana passada no Estado de Amapá, vizinho da Guiana francesa.  Garimpeiros de ouro invadiram uma aldeia do povo Wajãpi, mataram o cacique e os parentes fugiram apavorados. Com o grito por socorro e a solidariedade de instituições defensoras dos povos indígenas, o governo federal foi obrigado a enviar polícia federal para  supostamente prender os criminosos invasores da terra indígena.

Os policiais foram até o centro da aldeia, acompanhados por guerreiros wajãpi. Não encontrando ninguém, se recusaram a entrar na floresta para buscar os criminosos. Alegaram que não podiam prosseguir na investigação. Retornaram à capital Macapá. Um general do exército então declarou o seguinte “ Pelo trabalho pericial feito pela polícia federal de forma científica, até o momento não houve indícios de invasão de garimpeiros”, falou o general lá de Brasília. No dia seguinte, o presidente Bolsonaro, que já se tornou ridículo com suas polêmicas irresponsáveis, simplesmente declarou que duvida que havia garimpeiros na terra wajãpi.

No entanto, o cacique Surui Wajãpi acompanhou os policiais federais  até ao local do assassinato do outro cacique e contou como eles fizeram a perícia no local. Disse ele: “ nós acompanhamos os policiais ao local, mostramos os sinais  e marcas dos sapatos dos garimpeiros, mas os policiais disseram que não iriam entrar na floresta para continuar a investigação”. Em quem acreditar nesse caso? Na polícia federal de um governo que despreza os povos nativos e recusa concluir a investigação no local? Ou no depoimento do cacique que viveu o drama da invasão de criminosos garimpeiros que mataram seu parente?

Esta é a Amazônia onde vivem 27 milhões de brasileiros, entre os quais mais de cem povos nativos, mas com autoridades totalmente acobertando crimes e permitindo a entrega das riquezas ao capital.  Desde la república bananeira Brasil, Edilberto Sena da Rede de Notícias da Amazônia para Red Pan Amazónica

Boas notícias para você

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Análise da semana  Nossa Voz é Nossa Vida  – 28.07.2019

Nem só de anarquia dos governantes vivemos nós os e as brasileiras. Meu Deus! Nunca antes havia presenciado incompetências e arrogâncias de servidores públicos, como nestes dias no Pará. Em Alter do Chão, foi o tal despreparado ministro da educação, que recebeu devida vaia de muitos presentes; no Marajó foi a tal ministra da cidadania e da mulher, com aquela trágica sugestão de uma fábrica de calcinhas par impedir agressões sexuais às mocinhas pobres. Eita pau! Quanta  barbaridade nas ditas autoridades nacionais.

Ainda bem que coisas boas estão acontecendo aqui na região, apesar dessas baboseiras de autoridades. Nossos agredidos povos tradicionais conseguem buscar outros motivos para respirar esperança. É como indica o mestre Jesus no evangelho que deve estar sendo proclamado em várias celebrações hoje. O reino do céu é como uma pedra preciosa que alguém acha e vende tudo para ficar com ela. Não a pedra que os governantes estão impondo sobre nós. Isso é veneno puro e destruição, como é o caso dos agrotóxicos liberados a granel e como a ALCOA e suas colegas que destroem o ambiente e levam de graça o minério. E ainda tem gente que apoia essas empresas.

Mas vamos salientar o que de bom está acontecendo na região. Ainda na terça feira aconteceu um estudo sobre construção de Comitê de bacia hidrográfica, para 22 representantes de comunidades e movimentos sociais do tapajós. Foram dois dias de debates e questionamentos para se entender o que é uma bacia hidrográfica, como é o caso do rio Tapajós e o igarapé do Urumari. Cada rio e Igarapé forma uma bacia hidrográfica. A água foi criada por Deus primeiro para as pessoas beberem, banharem, lavarem, cozinharem. Só depois servirá para outros usos. No entanto, o capitalismo selvagem está violentando as bacias hidrográficas, colocando a serviço de portos graneleiros, garimpos, hidroelétricas e outros. Nos igarapés, estão fazendo piscinas privadas, criação de animais e jogando lixo, como acontece nos igarapés de Santarém, do Eixo Forte, Lago Grande e outras comunidades. O estudo foi muito proveitoso e será levado adiante.

Outro sinal de esperança do Reino do céu está acontecendo desde ontem e vai até hoje à tarde. É a Romaria da terra e da agroecologia. Saiu ontem do trevo de Belterra, caminhou durante a noite e hoje chega daqui a pouco no bosque da cidade, onde haverá uma feira de produtos orgânicos e manifestações culturais. É o grito em defesa de nossa Casa Comum e a denúncia das desgraças dos agrotóxicos espalhados a granel na região. Uma das motivações da Romaria é “agricultura familiar  é uma economia de reciprocidade: quintais produtivos, pesca, artesanal, agro extrativismo e floresta de alimentos”.

Um terceiro sinal de esperança acontece hoje também aqui em Santarém. É o Congresso diocesano da Pastoral da Juventude. 250 jovens de várias regiões da Diocese estão reunidos no auditório do IESPES. Discutem como enfrentar essa triste realidade que vivem as populações do Brasil e Pará, especialmente a situação de abandono  das universidades e escolas públicas. Eles se perguntam, como deve um jovem cristão se comportar diante de tantas violações de direitos humanos causados por governos.

Estes são alguns sinais de busca da pedra preciosa hoje. Certamente outros estão acontecendo na sua comunidade e vizinhança, será?  você pode verificar abrindo os olhos para a vida como Jesus via lá na Galileia. Se os governantes são criminosos e tentam destruir vidas dos trabalhadores e dos pobres, se promovem a destruição de rios e florestas, está em nossas mãos resistir e construir o reino do céu como propões o mestre Jesus.

Assassinato do Aiampi no Amapá é fruto do progresso proposto pelo governo

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Notícia para Rio Mar  29.07.2019

Boa tarde Gecilene e você ouvinte da emissora comprometida com a justiça e a defesa da Amazônia. Trago uma notícia trágica, convidando você a refletir e também começar a agir para que outras tragédias não destruam mais do que já vem sendo destruído. Pesquisa publicada em setembro do ano passado afirma que os indígenas vivendo na capital amazonense, chegam a 45 mil pessoas de 36 etnias.  Estão vivem nas periferias manauaras.  É possível que você ouvinte tenha esteja informado da invasão de garimpeiros ao povo Waiampi no Amapá, será? Assassinaram o velho cacique e apavoraram os moradores da aldeia. Agora escutem o que pensa o atual presidente do Brasil. Disse ele: “Não tem nenhum indício forte que esse índio foi assassinado lá. Chegaram várias possibilidades, a PF está lá, quem nós pudermos mandar nós já mandamos. Buscarei desvendar o caso e mostrar a verdade sobre isso ai”.

 

Então escute o que afirma o conselho indígena das aldeias Waiampi do Amapá: O Conselho  publicou ontem uma nota esclarecendo as circunstâncias do assassinato do cacique Emyra Waiãpi na Terra Indígena Waiãpi. Segundo o documento, o crime ocorreu na segunda-feira (22/7) e o corpo foi encontrado por outros indígenas no dia seguinte. O Conselho aponta ainda que a Terra Indígena foi invadida por não indígenas, que tem ameaçado os Wajãpi. No Amapá como em toda a Amazônia, existem muitos minérios, no Amazonas, Pará, Rondônia e toda a região amazônica. A ambição de enriquecimento fácil leva às invasões das terras indígenas. Estas invasões são estimuladas pelo próprio presidente da República.

 

O arcebispo de Porto Velho/RO e presidente do Conselho Indigenista Missionário/CIMI, dom Roque Paloschi, afirmou na semana passada “que a Igreja vê com muito sofrimento este momento triste do Brasil.  É preocupação com o cenário político do Brasil e questionou o juramento de fidelidade à constituição federal feito pelo presidente da República. Na entrevista Dom Roque fez a seguinte análise:

O cenário político atual do Brasil é muito preocupante, pois, o atual presidente, com  suas equipes, está infringindo e desrespeitando totalmente a Constituição Federal do Brasil e de toda a esperança dos pobres deste país. Ele jurou fidelidade à constituição, mas estamos vendo os direitos dos pobres sendo atacados”, concluiu Bispo de Porto Velho.

Então, ouvinte da Rádio Rio Mar, o que está acontecendo com o povo Waiampi no Amapá, está também acontecendo com povos Ianomami, Tucano, e também o povo Munduruku do Tapajós. Com uma diferente atitude os munduruku estão reagindo à invasão de madeireiros em suas terras. Nas semanas atrás, um grupo de guerreiros percorreu 100 quilômetros pelas trilhas de suas terras no médio Tapajós, para expulsar madeireiros que roubavam madeiras. Em relatório publicado na semana passada afirmaram que, lutando em defesa da vida e da floresta, guerreiros e guerreiras passaram 18 dias percorrendo o perímetro de suas terras, para fiscalizar o local e garantir  sua proteção. No caminho encontraram  inimigos destruindo floresta e os expulsaram. O povo Munduruku tem história e fama de corta cabeças dos inimigos. Por isso ainda hoje são 14 mil parentes vivos. Um exemplo para muitos sofredores da Amazônia.

 

 

A quem incomoda o Sínodo para a amazônia?

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Notícia para Rádio Rio Mar  22.07.2019

Boa tarde Gecilene e você fiel ouvinte da grande emissora de Manaus e que vai bastante longe na região. Por acaso você já ouviu falar no Sínodo para a Amazônia? Sabe que Sínodo é uma reunião religiosa da Igreja Católica, em que o Papa convoca um grupo de bispos, padres e leigos para debaterem um assunto importante para ajudar o Papa a tomar uma decisão orientadora para os cristãos? Outro detalhe importante sobre este sínodo, ele é para a Amazônia e não sobre a Amazônia. Qual a diferença?… SOBRE significa um estudo para entender um assunto, no caso, a Amazônia. E PARA significa que o Papa deseja que a Evangelização na Amazônia seja a partir dos problemas, costumes e desafios que enfrentam os povos e a mãe natureza na Amazônia.

Não dá mais para os missionários imporem um catecismo de cima para baixo, com doutrinas religiosas, desconhecendo como vivem e sofrem os povos tradicionais e como sofrem a floresta, os rios, o solo e o subsolo da Amazônia, com a exploração gananciosa de empresas e governo em prejuízo dos que aqui vivem. Por isso, o sínodo já começou desde o ano passado, quando vários questionários foram respondidos, por cristãos de centenas de comunidades, para ser instrumento de trabalho dos bispos e especialistas que vão sentar e debater em outubro lá em Roma. Serão representantes dos nove países que tem floresta Amazônia em seu território.

O desejo do Papa Francisco é que o jeito de se evangelizar seja como Jesus no seu tempo na Galileia, sentido os desafios e sofrimentos dos pobres, anunciando a presença do reino de Deus ali. Este Sínodo para a Amazônia esta causando preocupação em quem? Adivinhe? Quem é que usa e abusa das florestas, rios, solos e subsolos da Amazônia? Quem que construiu e constrói usinas hidroelétricas em Balbina, Jirau, Belo Monte e dezenas de outras? Pois é, já sabe portanto,  quem está contra o sínodo para  a Amazônia. Daí que tem um grupo de músicos bem pagos, andando por várias cidades da Amazônia fazendo propaganda contra o sínodo, você sabia? Já estiveram em Porto Velho, em Rio Branco e querem chegar em Manaus, Boa Vista e outras cidades fazendo críticas mentirosas.

Eles andando criticando, pedindo abaixo assinado contra o Papa Francisco e o sínodo. Dizem que aquilo poderá causar grande prejuízos para o desenvolvimento da Amazônia. Dizem eles que: Somos uma entidade civil, de inspiração católica, e temos objetivo de defender a civilização cristã no Brasil. Estamos fazendo uma campanha a respeito do Sínodo da Amazônia. Há notícia de pessoas entre os participantes do sínodo que querem internacionalizar a Amazônia, ou entregar a Amazônia para o controle de ONGs ou instituições internacionais”. Com esse tipo de mentira eles querem assinatura de pessoas para acabar com um encontro religioso, que busca uma forma evangélica  de libertar os povos da Amazônia. Então, fique alerta, mesmo que você não seja católico/a procure ficar com a verdade  e não seja maria vai com as outras, nessas campanhas falsas.